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Promotor recorre contra decisão que livrou Cristina da denúncia de Nisman

Tribunal superior deverá decidir se caso é reaberto; presidente é acusada de acobertar autores do atentado na Amia em 1994

Rodrigo Cavalheiro, correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

04 Março 2015 | 13h59


BUENOS AIRES - O promotor Gerardo Pollicita recorreu nesta quarta-feira, 4, da decisão do juiz Daniel Rafecas de livrar a presidente argentina, Cristina Kirchner, da acusação de acobertar iranianos acusados de praticar o atentado que matou 85 na Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia) em 1994. Essa denúncia, que além da líder argentina envolve o chanceler Héctor Timerman e outros dirigentes kirchneristas, foi feita por Alberto Nisman quatro dias antes de ele ser encontrado morto com um tiro na cabeça, em 18 de janeiro.

A acusação tinha sido referendada pelo próprio Pollicita no dia 13, quando viu indícios de acobertamento pelo governo e pediu a busca de novas provas. Na semana passada, 11 dias depois de receber a denúncia, Rafecas decidiu que não havia elementos suficientes sequer para justificar a abertura de uma investigação. Ele argumentou que o pacto entre Argentina e Irã, que segundo Nisman envolvia transações comerciais em troca de proteção aos acusados iranianos, nunca chegou a ser aplicado. Por "inexistência de delito", não haveria necessidade de buscar novas pistas em gravações, segundo o juiz.

Caberá a um tribunal superior definir se o caso será reaberto para a busca das provas solicitadas por Pollicita ao indiciar a presidente. O promotor Germán Moldes será o encarregado de acolher ou não o recurso. Ele participou na marcha em homenagem a Nisman no dia 18, vista pelo governo como um ato da oposição.

Se Moldes decidir que há elementos para seguir a investigação, haverá um sorteio entre duas câmaras. É improvável que o caso volte ao juiz Rafecas, sobre o qual a oposição levantou suspeitas em razão da rapidez e da ênfase com que derrubou a denúncia contra Cristina. Ele enfrenta uma ação no Conselho da Magistratura, razão pela qual opositores creem que foi pressionado a decidir a favor do governo.

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