Promotor venezuelano indicia ex-policial por assassinato de fotógrafo

Promotores venezuelanos acusaram formalmente neste sábado um ex-policial pelo assassinato de um fotógrafo morto enquanto cobria um protesto contra a violência em Caracas, capital do país. O promotor Cristian Quijada atribuiu o homicídio do fotógrafo Jorge Aguirre a Boris Lenis Blanco, de 33 anos, preso na quinta-feira. Nenhum representante legal de Blanco foi encontrado até o momento. O assassinato de Aguires, que aconteceu no último dia 5, foi o último de uma séria de crimes que levou a dois dias de protestos contra a violência em Caracas. Segundo as autoridades, o fotojornalista, que trabalhava para o jornal El Mundo, estava a caminho de um protesto nos arredores de uma universidade quando foi atingido por um homem em uma motocicleta. De acordo com testemunhas, o assassino vestia roupas escuras, parecidas com o uniforme utilizado pela polícia local. A polícia ainda não encontrou a arma e nem identificou um motivo para ao crime, mas o chefe da Polícia Federal venezuelana, Marcos Chavez, disse que o incidente começou depois que o veículo em que estava Aguirre esfolou a perna de Blanco, que dirigia uma motocicleta. Após ser atingido, Aguirre conseguiu tirar uma foto de seu assassino. O advogado-geral Isaias Rodriguez disse que os investigadores rastrearam a moto, que levou à Blanco. Ainda de acordo com Rodriguez, Blanco havia sido demitido da polícia de Caracas em outubro por "falta de integridade". Outros crimes O assassinato de Aguirre aconteceu durante uma manifestação que pedia o fim de uma escalada de crimes contra personalidades da alta sociedade venezuelana. Recentemente, três irmãos canadenses-venezuelanos e um empresário italiano foram seqüestrados e assassinados em Caracas. O policial Javier Rafael Pineda Chirinos já está preso por envolvimento no assassinato dos três irmãos Faddoul - John, de 17 anos; Kevin , de 13; e Jason, de 12. Os três foram seqüestrados em fevereiro em uma falsa batida policial. Testemunhas afirmaram que homens vestidos com uniformes policiais pararam o carro em que os garotos viajavam, desmontando o comando depois que as vítimas foram levadas. Os garotos foram encontrados mortos com tiros na nuca e na cabeça. Embora as autoridades ainda não tenham apontado a motivação do crime, 10 pessoas já foram interrogadas. Ainda não se sabe o grau de envolvimento de Pineda Chirinos com os assassinatos. Chavez informou que os investigadores procuram agora por um outro suspeito, também policial metropolitano. Ao mesmo tempo, as autoridades também investigam o envolvimento de um ex-coronel da Guarda Nacional venezuelana no assassinato do empresário italiano. O oficial reformado Juan Carlos Saavedra, que está foragido, é apontado como responsável por atirar contra o siciliano Filippo Sindoni, que também foi seqüestrado por homens vestidos como policiais no último dia 28. Ele foi encontrado morto um dia após seu desaparecimento, com um tiro na cabeça.

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