Promotora que defendia tese de suicídio em caso Nisman é alvo da Justiça

Viviana Fein foi denunciada penalmente após decisão de juíza que assumiu apuração do caso dias após Macri chegar à presidência

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE/BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

01 de março de 2016 | 16h45

BUENOS AIRES - A promotora argentina Viviana Fein, que comandou a investigação sobre a morte de seu colega Alberto Nisman entre janeiro e dezembro, foi denunciada penalmente nesta terça-feira, 1º. A decisão foi tomada por Fabiana Palmaghini, juíza que assumiu a apuração do caso dias após Mauricio Macri chegar à Casa Rosada, há quase quatro meses.

Fein será investigada por ter omitido que há um ano o espião argentino Jaime Stiusso - que repassava a Nisman informações sobre o atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia) de 1994 e foi o último para quem o promotor tentou ligar - disse em depoimento acreditar em um assassinato. Fein e as perícias oficiais sempre fortaleceram a hipótese de um suicídio. 

Peritos contratados pela família apontaram meses depois que houve um homicídio, com base na posição do corpo e na hora da morte. Depois de meses escondido nos EUA, Stiusso voltou a depor na noite de segunda-feira em Buenos Aires durante 15 horas, desta vez diante de Palmaghini. As novas medidas, que impulsionam a linha de investigação de um homicídio, ocorreram após esse depoimento. Fein não se manifestou sobre a denúncia contra ela, acusada também de permitir a contaminação da cena do crime.

O cadáver de Nisman foi encontrado com um tiro na cabeça em 18 de janeiro de 2015 no banheiro de apartamento em que vivia no bairro de Puerto Madero. Quatro dias antes, ele havia acusado Cristina Kirchner e a cúpula do governo de pactar com o Irã a proteção de acusados iranianos do ataque, em troca de vantagens comerciais para a Argentina. Segundo o canal TN, que teve acesso ao depoimento, Stiusso não citou Cristina no depoimento desta semana.

Depois de anunciar as medidas, Palmaghini declarou-se impedida de continuar à frente do caso, o que deve levar a apuração para a Justiça Federal, como exigia a família. Isso situaria o técnico em informática Diego Lagomarsino, que trabalhava para Nisman, não só como indiciado por emprestar a arma de onde saiu o disparo, mas com suspeito. Na semana passada, o parecer do promotor Ricardo Sáenz já havia sugerido levar o caso à esfera federal. Ele concluiu que Nisman foi assassinado e sua morte teve relação com seu trabalho na causa Amia.

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