Jefferson County Sheriff's Office via AP
Jefferson County Sheriff's Office via AP

Promotores do Alabama retiram acusação contra grávida que foi baleada

Eles alegaram que não era interesse da Justiça manter o indiciamento por homicídio de Marshae Jones, cujo feto morreu

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2019 | 17h36

MONTGOMERY, EUA -  Promotores do Alabama anunciaram nesta quarta-feira que retiraram as acusações de homicídio involuntário contra Marshae Jones pela morte do feto que ela levava quando foi baleada na barriga.

O caso provocou ultraje em todo o país no final de junho depois que um grande júri indiciou Jones, que foi acusada de iniciar a discussão que resultou nos tiros. O Estado reconhece que um feto, em qualquer estágio de desenvolvimento, como uma "pessoa" para indiciamento por homicídio.O Alabama aprovou em maio uma lei que proíbe o aborto, até mesmo em casos de estupro e incesto, e equipara a interrupção da gravidez a homicídio.

O mesmo grande júri rejeitou indiciar a mulher que deu os tiros, Ebony Jemison, ao considerar que ela disparou em defesa própria durante a discussão com Jones em 4 de dezembro. A polícia disse que Jones, que tem 28 anos e estava grávida de 5 meses, iniciou a briga, pondo em risco sua vida e a do bebê.

Lynneice Washington, a promotora do Condado de Jefferson, disse em uma entrevista coletiva que "após revisar os fatose as lei do Estado, determinei que não é do interesse da Justiça manter o indiciamento da senhora Jones por homicídio. Então, estou encerrando o caso e nenhuma ação legal será adotada contra a senhora Jones sobre este caso".

Ela disse que a decisão de não indiciar Jones não representava uma crítica à decisão do grande júri. "Os cidadãos analisaram as evidências apresentadas pelo Departamento de Polícia de Pleasant Grove e decidiram que era razoável indiciar a senhora Jones", disse a promotora.

"Os membros do grande júri foram afetados pelo fato de a vida de uma criança que ainda não tinha nascido ter sido violentamente encerrada e acreditaram que alguém deveria ser o responsável. Mas levando em consideração os interesses de todos, não levaremos o caso adiante."

Washington, uma democrata, que se tornou a primeira promotora distrital negra ao ser eleita em 2016, já havia indicado que poderia retirar as acusações.

Desde que a polícia prendeu Jones, ondas de indignação tomaram conta de Estados mais progressistas dos Estados Unidos. Ativistas citaram esse caso como demonstração dos perigos em todos os EUA do movimento de "personificação", que defende que os direitos dos fetos sejam reconhecidos como iguais - ou até mais importantes - que os direitos das mães que os carregam. / NYT

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