Arquivo/AP
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Promotores italianos pedem busca em propriedade de Berlusconi

Premiê italiano é alvo de investigação em caso de prostituição de marroquina menor de idade

Agência Estado e Efe

17 de janeiro de 2011 | 14h44

ROMA - Parlamentares italianos estão avaliando um pedido de promotores de Milão para autorizar uma busca em uma propriedade do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, em uma investigação sobre prostituição.

 

O site da Câmara dos Deputados divulgou nesta segunda-feira, 17, o pedido, no qual os promotores alegam que Berlusconi fez sexo com um "número significativo" de jovens prostitutas.

 

A prostituição não é crime na Itália, mas explorar ou auxiliar a prostituição de menores é. Os promotores dizem que entre as prostitutas supostamente envolvidas com o primeiro-ministro está uma menor de 17 anos. A garota, hoje com 18 anos, diz que Berlusconi deu a ela 7 mil euros (mais de US$ 9 mil) para ajudá-la, mas não por sexo.

 

Os promotores pediram permissão para a polícia realizar uma busca em um complexo de apartamentos perto de Milão, onde as mulheres supostamente ficavam sem pagar aluguel. Berlusconi nega qualquer irregularidade.

 

Premiê sabia

 

A jovem, a marroquina Karima el Mahroug, é conhecida como Ruby. Segundo relatos divulgados pela mídia italiana nesta segunda, o premiê sabia que ela era menor de idade quando a convidou em repetidas ocasiões para suas festas privadas.

 

O jornal La Repubblica, que não cita fontes determinadas, indicou que a informação foi relatada por pessoas que tiveram acesso à documentação da investigação conduzida pela Promotoria de Milão, na qual Berlusconi é indagado por suposta incitação à prostituição de menores e concussão (coerção exercida por funcionário público) pelo chamado "caso Ruby".

 

O jornal assinala que, apesar de em diferentes declarações a jovem ter negado ter mantido relações sexuais com o governante, em várias ligações telefônicas para suas amigas que foram interceptadas pelos investigadores, a marroquina dá outra versão.

 

O La Repubblica cita a frase na qual supostamente Ruby assegura que havia informado ao primeiro-ministro ser menor de idade e acrescenta que Berlusconi sabia do fato desde o segundo encontro.

 

Já o Corriere della Sera informou em sua edição digital que entre as provas "esmagadoras" contra Berlusconi existe uma conversa entre o primeiro-ministro e a conselheira regional Nicole Minetti, próxima a ele e investigada por incitação à prostituição pelo mesmo caso.

 

Segundo o jornal milanês, Minetti advertia a Berlusconi que Ruby ia ser interrogada pelos investigadores, enquanto o governante respondia que as autoridades "nunca conseguirão provar" que o líder italiano sabia que ela era menor.

 

Na sexta-feira passada foi divulgada a notícia de que o nome de Berlusconi havia sido incluído pela Promotoria de Milão no registro dos investigados pelo caso Ruby e a cada dia aparecem nos meios de comunicação italianos novas informações sobre o conteúdo do processo.

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