Promotores pretendem interrogar Isabelita Perón

Investigadores querem depoimento de ex-presidente argentina sobre operação do Exército contra guerrilha

Ariel Palacios, Correspondente - O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2014 | 02h03

BUENOS AIRES - Promotores federais argentinos pediram a convocação da ex-presidente María Estela Martínez de Perón, conhecida como "Isabelita", para responder a um inquérito sobre violações aos direitos humanos em seu governo, de 1974 a 1976. A solicitação foi feita por Pablo Camuña e Patrício Rovira, que investigam crimes das Forças Armadas e de civis nos anos 70. Isabelita, uma das mais impopulares presidentes da história argentina, vive na Espanha.

Em 1975, Isabelita assinou decretos que determinavam o "aniquilamento" de grupos considerados "subversivos". A medida levou militares e policiais a uma onda de assassinatos concentrados na Operação Independência, feita na Província de Tucumán, no norte do país, onde agia a pequena guerrilha do Exército Revolucionário do Povo (ERP). Os militares ensaiaram ali uma série de técnicas de tortura e sequestro aplicadas em grande escala na ditadura (1976-1983). As investigações envolvem 16 suspeitos de crimes sexuais, torturas, sequestros, detenções ilegais, invasões de domicílios e homicídios.

Precedente. Em 2007, a Justiça argentina solicitou à Espanha a extradição de Isabelita por envolvimento em casos de terrorismo de Estado. Mais de 600 pessoas teriam sido sequestradas e assassinadas pelos militares e por grupos paramilitares - entre eles a Aliança Anticomunista Argentina (a Tríplice A), durante sua presidência. Em 2008, a Justiça espanhola rejeitou os pedido, alegando que não houve crimes contra a humanidade. Isabelita argumenta que não conhecia os vínculos entre a organização paramilitar e seu governo.

Isabelita trabalhava como dançarina de cabaré no Panamá quando Juan Domingo Perón, derrubado em 1955 por militares rivais, estava exilado no país. O caudilho a levou para Madri. O casal residiu na Espanha durante 13 anos, desde 1960. Em 1973, Perón voltou à Argentina e foi eleito presidente. Isabelita foi escolhida vice.

Com a morte de Perón, em 1974, a viúva assumiu o posto. Sem o carisma do marido, não conseguiu manter a coesão do peronismo. Em 1976, foi derrubada pelos militares. Em 1981, ao ser libertada pela ditadura, voltou para a Espanha. Aos 83 anos, passa seus dias visitando amigas para tomar chá.

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