Promotores retiram acusação contra Zuma na África do Sul

Decisão abre caminho para que ele seja o próximo presidente do país nas eleições do dia 22 de abril

Agência Estado e Associated Press,

06 de abril de 2009 | 11h38

Os promotores retiraram uma acusação por corrupção contra Jacob Zuma nesta segunda-feira, 6, alegando que o caso foi manipulado por razões políticas. Com isso, fica aberto o caminho para Zuma tornar-se o próximo presidente da África do Sul, sem o risco de ser julgado.

 

Zuma é o candidato do partido governista, Congresso Nacional Africano, nas eleições do dia 22 e é bastante favorito, dada a vantagem da sigla. "Não é nem possível nem desejável para a Autoridade Nacional de Promotoria continuar com o processo contra o sr. Zuma", afirmou Mokotedi Mpshe, diretor adjunto da promotoria pública, durante entrevista coletiva transmitida pela televisão.

 

Mpshe acatou as reclamações de Zuma, que alega ser vítima de uma conspiração política. Zuma também afirma que importantes promotores abusaram de seu poder durante o caso contra o ex-líder guerrilheiro de 66 anos. A decisão foi tomada após a análise de gravações monitoradas entre promotores, levadas à justiça pela equipe de advogados de Zuma. Não estava claro como esses registros foram obtidos, mas Mpshe disse que os promotores determinaram que eles eram autênticos.

 

A novidade foi recebida com bastante alegria e os partidários de Zuma dançaram pelas ruas de Johannesburgo. Centenas de pessoas comemoravam com bandeiras do ANC (sigla em inglês do partido governista) no centro desta cidade, a maior do país.

 

O candidato presidencial do COPE, partido formado recentemente, uma dissidência do ANC, criticou a decisão dos promotores. "É um dia negro para a justiça sul-africana", disse Mvume Dandala. "Eu não ouvi nada que sugira como nos colocaremos fora dessa bagunça", avaliou. "Nós ainda não ouvimos sobre os méritos ou deméritos do caso contra o sr. Zuma. O povo sul-africano quer saber: ele é inocente ou culpado?"

 

Os promotores disseram nesta segunda-feira estar convencidos de que o processo contra Zuma tem substância. Mas retiraram a acusação pois o caso foi manchado pela interferência política. Empobrecidos sul-africanos apoiam Zuma como o homem que acredita em sua luta. Nascido em uma zona rural, Zuma perdeu seu pai criança e sua mãe era empregada em Durban. Aos 15 anos, ele já trabalhava para ajudar a família.

 

Zuma ingressou no ANC em 1959 e foi preso em 1963, condenado por conspirar para derrubar o governo de minoria branca durante o regime do apartheid. Zuma foi condenado a passar dez anos na Robben Island, a mesma prisão onde o ex-presidente Nelson Mandela esteve. Zuma deixou o país em 1975 e ficou 12 anos no exílio.

 

Em 2006, Zuma foi inocentado de estupro de uma amiga da família. Ele chocou ativistas que lidam com a aids ao, em testemunho, afirmar que fez sexo sem proteção com a mulher, HIV positivo, e depois tomou um banho, alegando que isso o protegeria. Zuma foi acusado de aceitar propinas para esquecer um caso de suposto desvio de recursos, envolvendo a compra de armas francesas, no fim da década de 1990. O ex-presidente Thabo Mbeki afastou Zuma, então seu vice. Mas Zuma conseguiu apoio no partido e tornou-se presidente da sigla em dezembro de 2007.

 

Dias depois dessa vitória de Zuma, os promotores apresentaram novas acusações contra ele. O período em que foram feitas essas novas acusações foi alvo de vários comentários de Mpshe durante a entrevista coletiva desta segunda-feira. Segundo ele, gravações indicam que elas tiveram motivação política. Mbeki acabou renunciando como presidente em setembro, após um juiz retirar acusações contra Zuma, afirmando que elas foram misturadas com política. Mas a Suprema Corte havia revertido a decisão no início deste ano.

 

As idas e vindas dos processos chegaram ao clímax nesta segunda-feira. Mpshe qualificou a decisão como "a mais difícil que já fiz em minha vida".

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