Promotoria coleta evidências de matanças de civis em Darfur

A corte de crimes de guerra apoiada pela ONU em Darfur documentou milhares de mortes de civis, centenas de supostos estupros e um "número significativo" de massacres que mataram centenas de pessoas na província localizada no oeste do Sudão, informou nesta quarta-feira a promotoria. Muitas testemunhas e vitimas disseram que três grupos étnicos em particular - o Fur, o Massalit e o Zaghawa - vêm sendo alvo de ataques em Darfur, afirmou Luis Moreno Ocampo em um relatório para o Conselho de Segurança. Esses detalhes estão entre os grandes indicadores de que Moreno Ocampo, promotor chefe da Corte Criminal Internacional, descobriu evidências substanciais de limpeza étnica e de crimes contra a humanidade em Darfur."Na maioria dos incidentes (...) há descrições de testemunhas oculares que afirmam que os criminosos fizeram comentários que reforçavam a natureza segregadora dos ataques, como ´mataremos todos os negros´ e ´expulsaremos vocês dessa terra´", afirmou o promotor em seu relatório.Uma investigação especial da ONU concluiu em janeiro de 2005 que ocorreram crimes contra a humanidade em Darfur, onde cerca de 180 mil pessoas morreram e 2 milhões foram forçadas a sair de suas casas como resultado da violência que irrompeu em 2003. As três tribos negras que Moreno Ocampo mencionou estão entre aquelas que se rebelaram contra o que eles chamam de tratamento injusto pelo governo sudanês em fevereiro de 2003.O governo é acusado de apoiar milícias árabes conhecidas como Janjaweed em ataques contra essas tribos em Darfur. O governo nega o apoio, mas confirma um acordo de paz com o maior grupo rebelde do país para desarmar e dispersar as milícias.

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