Dois policiais venezuelanos são presos por morte de jovem em protesto

Países latino-americanos emitem comunicado em rejeição à violência durante as manifestações

O Estado de S.Paulo

18 Abril 2017 | 00h50

CARACAS - O Ministério Público da Venezuela informou nesta segunda-feira, 17, a prisão de dois funcionários da polícia do Estado de Carabobo, no centro-norte do país, pela suposta responsabilidade na morte de Daniel Alejandro Queliz Araca, de 20 anos, morto por um tiro durante protesto opositor no dia 10 de abril. Em um comunicado, o MP indicou que os suspeitos são o supervisor Marcos Ojeda e o oficial Edwin Romero.

Ojeda era chefe do comando da Polícia de Carabobo, localizado na entrada do conjunto residencial Los Parques, na cidade de Valencia, onde o jovem foi morto. “Ambos os funcionários foram acusados por uso indevido de arma de fogo”, disse o MP.

O jovem morreu em frente ao conjunto residencial Los Parques, onde estavam agentes da polícia da referida entidade federal. Ele foi levado imediatamente para o Hospital da Cidade Dr. Enrique Tejera, mas “ingressou sem sinais vitais”.

Manifesto. Governos de 11 países latinoamericanos rejeitaram a morte de seis pessoas durante os protestos na Venezuela e pediram para evitar “qualquer ação de violência” nas manifestações convocadas para esta quarta-feira, 19, informou a chancelaria colombiana.

“Manifestamos nosso profundo pesar e rejeição pela morte de seis cidadãos no marco da jornada de protestos que tiveram ocorreram na República Bolivariana da Venezuela nos últimos dias e expressamos nossa solidariedade e condolências aos familiares”, diz o comunicado conjunto divulgado em Bogotá.

Na declaração, os governos da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru e Uruguai reiteraram "sua rejeição à violência”. Sobre as marchas convocadas para a próxima quarta,  pedem que o governo de Maduro “garanta o direito da manifestação pacífica, tal como diz a Constituição” Venezuelana.

Balanço. O diretor da ONG Foro Penal Venezuelano, Alfredo Romero, informou nesta segunda que durante os protestos opositores das últimas duas semanas, 538 pessoas foram presas, das quais 241 permanecem atrás das grades.

O advogado explicou, através de sua conta no Twitter, que esse balanço vai de 4 de abril até a manhã desta segunda. Mesmo assim, disse que, do total, ao menos 32 pessoas já foram formalmente privadas de liberdade por decisão de algum tribunal do país.

Romero afirma que a ONG está denunciando, “internacionalmente, torturadores identificados”, depois que vários partidos de oposição asseguraram que as forças de segurança do Estado estavam usando tortura em alguns detidos para implicar aos líderes antichavistas supostos planos terroristas.

No último dia 8, o jurista assegurou que os efetivos da força pública estavam aplicando “prisões seletivas” durante as manifestações, o que elevou o número de “presos políticos” - como a oposição venezuelana qualifica a vários de seus dirigentes que foram presos por diferentes crimes. Segundo balanços do Foro Penal, só em abril, o número de presos políticos aumentou para 146.

O MP informou que apresentará aos tribunais ao menos 63 pessoas supostamente envolvidas nos atos de violência registrados em Caracas e em cidades do interior do país. Os protestos antigoverno deixaram, segundo balanços da oposição venezuelana, ao menos seis mortos e mais de 200 feridos. /EFE

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