Martin Mejia/AP
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Promotoria do Peru investiga ex-presidente e autoridades por 'vacinagate'

Atual chefe do Executivo diz que 487 pessoas foram imunizadas irregularmente; Vizcarra diz que era 'voluntário'

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2021 | 23h26
Atualizado 15 de fevereiro de 2021 | 23h48

LIMA - O Ministério Público do Peru iniciou uma investigação preliminar contra o ex-presidente Martín Vizcarra sob a acusação de três crimes, depois de ter sido revelado que ele recebeu a vacina contra o coronavírus do laboratório chinês Sinopharm que foi submetida a ensaios clínicos no país. Vizcarra foi afastado do cargo após um processo de impeachment em novembro.

O Ministério Público afirmou em comunicado que o ex-chefe de governo é acusado de crime contra a administração pública, extorsão e negociação incompatível ou proveito do cargo que ocupava. Ainda nesta segunda-feira, 15, o atual presidente do Peru, Francisco Sagasti, revelou que 487 pessoas foram vacinadas irregularmente contra covid-19 no país, incluindo dois de seus ministros, que já renunciaram, e outros funcionários públicos, que serão afastados de seus cargos.

Sagasti disse em uma mensagem na TV  que "487 pessoas, incluindo muitos funcionários públicos, aproveitaram sua posição para serem imunizadas com as vacinas Sinopharm que vieram como um complemento às usadas em testes clínicos" no Peru.

O Ministério Público acrescentou que interrogará o próprio político, a sua mulher, Maribel Díaz, e o chefe da equipe de investigação dos ensaios clínicos da Sinopharm no país, Germán Málaga. Também são alvos o ex-primeiro-ministro Walter Martos, a ex-ministra da Saúde Pilar Mazzetti e o ex-ministro das Relações Exteriores Mário López. Todos eles teriam recebido doses do imunizante.

A Promotoria também solicitou informações sobre o processo de testes da vacina à Universidade Peruana Cayetano Heredia (UPCH) e ao Instituto Nacional de Saúde (INS).

Em vídeo, Vizcarra diz que era voluntário

Vizcarra publicou nesta segunda-feira um vídeo em suas redes sociais no qual se defendeu das acusações de ter recebido diretamente as doses do Sinopharm e reiterou sua versão de que era um dos voluntários nos ensaios clínicos no país, algo que a UPCH negou.

Apesar de ter pedido desculpas à população por não ter relatado sua participação nos testes, o ex-chefe de governo fez uma nova revelação, observando que ele não só participou com sua mulher, como já havia informado, mas também com seu irmão mais velho. O ex-presidente argumentou que foi uma decisão pessoal de assumir o risco sanitário envolvido na aplicação de uma vacina experimental e negou que tenha mentido.

"Assumo minha responsabilidade nesse sentido e, por respeito aos cidadãos de meu país, peço sinceramente desculpas aos peruanos por não ter relatado esse fato naquele momento", declarou Vizcrra, que prometeu colaborar com as investigações. "Não cometi crime algum, e não houve aqui dano contra ninguém, muito menos contra o Estado", finalizou. / EFE e AFP

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