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Promotoria dos EUA investiga doações para comitê que organizou posse de Trump

Wall Street Journal afirma que promotores investigam se alguns dos maiores doadores repassaram dinheiro ao comitê em troca de favores políticos depois que Trump chegasse ao poder

O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2018 | 22h49

NOVA YORK - A Promotoria Federal de Manhattan está investigando o comitê montado para organizar a posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que arrecadou US$ 107 milhões em doações, segundo o jornal The Wall Street Journal.

O jornal, que cita fontes com conhecimento da investigação, afirma que os promotores também investigam se alguns dos maiores doadores repassaram dinheiro ao comitê em troca de favores políticos depois que Trump chegasse ao poder.

A investigação, que ainda está em fase inicial, começou a partir dos materiais apreendidos pelas autoridades americanas no escritório de Michael Cohen, ex-advogado pessoal do presidente.

Cohen foi condenado ontem a três anos de prisão por diferentes crimes, entre eles por pagar duas mulheres para manterem o silêncio sobre relações que tiveram com Trump, assim como por mentir ao Congresso sobre projetos empresariais do presidente na Rússia.

Em troca do dinheiro, os doadores obteriam acesso ao governo, concessões legislativas e teriam influência sobre cargos, ações que representam uma violação da lei federal americana.

Na operação de busca e apreensão nos escritórios de Cohen, em abril, o FBI encontrou uma conversa gravada na qual Stephanie Winston Wolkoff, ex-assessora da primeira-dama do país, Melania Trump, e que trabalhou na posse, expressava "preocupação" ao advogado sobre as despesas do comitê.

Advogados ligados ao comitê questionaram a existência da investigação, alegando não terem recebido pedidos de informação por parte dos promotores que estariam envolvidos no caso.

O comitê gastou US$ 103 milhões e só explicou como gastou US$ 61 milhões. Como uma organização sem fins lucrativos, a lei só exige que sejam divulgados os gastos com as cinco principais entidades com as quais a organização trabalhou e quanto elas receberam.

Os eventos da posse, em janeiro de 2017, incluíram um show, recepções, jantares particulares e outras festividades. De acordo com os promotores, a empresa que mais recebeu dinheiro do comitê foi a WIS Media Partners, comandada pela ex-assessora de Melania, que recebeu US$ 25,8 milhões.

Os promotores também teriam interrogado Richard Gates, que trabalhou para a campanha eleitoral de Trump e foi presidente-adjunto do comitê para a posse, sobre as despesas e os doadores, conforme fontes citadas pelo "Journal".

No começo do ano, Gates admitiu ser culpado de conspirar contra o país ao fazer trabalhos de assessoria em política externa que não tinham ligação com a campanha. Ele foi processado pelo promotor especial Robert Mueller, responsável por investigar as relações entre a campanha de Trump e o governo da Rússia. / EFE

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