Reuters
Reuters

Promotoria livra Cristina Kirchner de denúncia de acobertar suspeitos de atentado

Representante do MP ligado ao kirchnerismo considera, em decisão na 3ª instância, que fatos narrados por Nisman não são delitos

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente, O Estado de S. Paulo

20 de abril de 2015 | 17h57

BUENOS AIRES - O promotor argentino Javier de Lucca desistiu nesta segunda-feira, 20, de levar adiante a denúncia feita por Alberto Nisman contra a presidente Cristina Kirchner por acobertamento de iranianos acusados de atacar a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia). A decisão de 27 páginas do Ministério Público, feita em terceira instância, sepulta a acusação feita por Nisman quatro dias antes de ser encontrado morto com um tiro na cabeça em seu banheiro, em 18 de janeiro. O fim do trâmite era esperado porque De Lucca, a quem o texto de Nisman chegou na semana passada, faz parte de um grupo dentro do Ministério Público e do Judiciário chamado Justiça Legítima, que se declara kirchnerista. 


Nisman dizia ter provas de que um acordo feito em 2013 entre Argentina e Irã, para ouvir em Teerã os depoimentos dos acusados, envolvia na prática pactos comerciais e a retirada dos pedidos de prisão internacional emitidos pela Interpol contra parte dos iranianos. A apuração da denúncia foi rejeitada nas duas primeiras instâncias da Justiça argentina com o mesmo argumento: o acordo nunca chegou a ser concretizado (foi bloqueado pelo Parlamento iraniano e pela Justiça argentina) e os pedidos de prisão continuaram valendo. Portanto, não haveria crime. O mesmo argumento foi usado por De Lucca.


O promotor Germán Moldes, o último a tentar dar sobrevida ao trabalho de Nisman, na segunda instância da Justiça argentina, argumentou que ainda assim novas evidências deveriam ser buscadas. Conseguiu que o mesmo tribunal que se recusou a abrir uma investigação permitisse ao menos o recurso a uma corte superior. Seu pedido, entretanto, foi distribuído ao promotor ligado ao governo - o que ele viu como uma manobra jurídica, já que era possível saber quem se encarregaria de levar ou não adiante o caso dependendo do dia em que seu recurso fosse aceito. Há uma possibilidade remota que os magistrados da maior corte penal discordem de De Lucca e decidam retomar o caso.


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.