Mark Pitters/ Reuters
Mark Pitters/ Reuters

Promotoria pede 40 anos de prisão para ex-chefe do Khmer

Duch é o 1º membro da cúpula julgado desde o fim do regime ultracomunista que matou mais de 1,7 milhão

Efe,

25 Novembro 2009 | 08h06

A promotoria do tribunal internacional para o genocídio do Camboja pediu nesta quarta-feira, 25, uma pena de 40 anos de prisão para o chefe torturador do Khmer Vermelho, Kaing Guek Eav, conhecido como "Duch" e ex-diretor do centro de torturas da organização maoista. Duch dirigiu entre 1975 e 1979 a prisão secreta de Tuol Sleng, também conhecida como S-21 e pela qual passaram mais de 12 mil antes de serem executados no local ou em campos de extermino de Choeung Ek, aos arredores da capital.

 

Os fiscais optaram por não solicitar a sentença máxima de prisão perpétua. Durante todo o processo, o chefe torturador do Khmer Vermelho admitiu sua responsabilidade pelos atos de barbárie e pediu perdão às vítimas. Mas a promotoria lhe recrimina que "ainda não admite que o fez por vontade própria e insiste em assegurar que foi porque cumpria ordens ou que atuava sob a ameaça de seus superiores".

 

Duch é o primeiro membro da cúpula do Khmer a ser julgado desde a queda do regime ultracomunista de Pol Pot que provocou a morte de pelo menos 1,7 milhão de cambojanos, o equivalente a um quinto da população do país na época. O regime do Khmer é acusado de promover um dos mais sangrentos massacres do século 20, considerando o porcentual da população afetada pelas execuções, prisões e tortura.

 

Ainda devem ser julgados Khieu Samphan, ex-presidente da República Democrática de Kampuchea; Nuon Chea, "irmão número dois" e ideólogo da organização; Ieng Sary, ex-ministro de Assuntos Exteriores; e sua esposa Ieng Thirit, ex-titular de Assuntos Sociais. Pol Pot morreu na selva cambojana em 1998, quando o Khmer Vermelho estava à beira do desaparecimento pelas deserções e lutas internas.

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