Rayner Peña R./EFE
Rayner Peña R./EFE

Promotoria pede prisão de acusados de matar militar na Venezuela

Capitão Rafael Acosta Arévalo estava detido por suposto plano de assassinar Maduro e apresentou sinais de tortura

Redação, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2019 | 18h13

CARACAS - Dois militares foram apresentados à Justiça nesta segunda-feira, 1º, pela morte de um oficial que havia sido detido por supostos vínculos com um plano para depor e assassinar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, informou o procurador-geral Tarek William Saab. O Ministério Público solicitou a prisão preventiva do tenente Ascanio Antonio Tarascio e do sargento Estiben José Zárate.

"As investigações preliminares apontaram a ligação de dois funcionários subordinados à Direção Geral de Contra Inteligência Militar a esse lamentável fato", escreveu no Twitter Saab.

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, declarou nesta segunda que se sentiu "chocada" pela morte do militar, que teria sido torturado enquanto estava detido.

"Estou chocada pela suposta tortura do capitão Acosta Arévalo e pelo fato da causa da morte poder estar ligada ao tratamento que recebia enquanto estava sob custódia", informou, em nota, Bachelet. "Recordo às autoridades venezuelanas que são responsáveis pela vida e a integridade física e psicológica de todas as pessoas privadas de liberdade." 

Caso Rafael Acosta Arévalo

O capitão de corveta Rafael Acosta Arévalo foi detido no dia 21 por indivíduos armados não identificados, antes de ser dado por desaparecido durante uma semana.

"Dado que sua família e seus advogados não foram informados sobre seu paradeiro, apesar das reiteradas solicitações, este caso pode constituir um desaparecimento forçado, proibido pelo direito internacional", divulgou o gabinete de Bachelet.

Na última sexta-feira, 28, o capitão foi levado a um tribunal militar, junto com outros quatro oficiais e dois ex-agentes de segurança, acusados de conspirar para assassinar o presidente Nicolás Maduro. 

Segundo o advogado de Acosta Arévalo, ele foi levado ao juiz "numa cadeira de rodas", era incapaz de falar e mostrava sinais de tortura. O juiz o enviou a um hospital militar, onde morreu nas primeiras horas do sábado, 29. 

"Apesar das várias solicitações, nem a família nem o advogado tiveram acesso ao corpo", acrescentou o gabinete de Bachelet. 

A ex-presidente do Chile, que foi torturada pela polícia política do ditador Augusto Pinochet na década de 1970, visitou Caracas entre os dias 19 e 21 de junho. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.