Arquivo/EFE
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Promotoria quer que Espanha peça ao Brasil extradição de terrorista

Em 1977, García Juliá e outros cúmplices, todos membros de um grupo terrorista de ultradireita, assassinaram a tiros cinco pessoas dentro de um escritório de advogados trabalhistas e militantes do até então ilegal Partido Comunista

O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2018 | 15h59

MADRI - A Promotoria da Audiência Nacional da Espanha pediu nesta segunda-feira, 10, que o tribunal solicite ao Brasil a extradição de Carlos García Juliá, preso na última quarta-feira, em São Paulo, por ser um dos responsáveis por um massacre cometido em 1977 em Madri. Ele foi condenado em 1980 pela morte de cinco pessoas. 

O pedido será agora avaliado pelo tribunal e depois pelo governo espanhol.

Para a Promotoria, García Juliá fugiu da Espanha durante uma permissão temporária para deixar a prisão após cumprir 14 dos 193 anos de pena em regime fechado, e por isso teria de ser extraditado.

Em 1977, García Juliá e outros cúmplices, todos membros de um grupo terrorista de ultradireita, assassinaram a tiros cinco pessoas dentro de um escritório de advogados trabalhistas e militantes do até então ilegal Partido Comunista da Espanha.

Chamado de Matança de Atocha no país europeu, em referência à rua onde ficava o escritório, o massacre se transformou em um dos símbolos do retorno da democracia na Espanha, quando faltavam dois meses para a legalização do Partido Comunista e cinco para a realização das primeiras eleições depois de quatro décadas de ditadura de Francisco Franco.

A condenação de 193 anos de prisão foi limitada a 30 anos pela legislação em vigor na época. Em 1991, García Juliá recebeu a liberdade condicional. Em dezembro daquele ano, ele obteve autorização para trabalhar em Assunção, no Paraguai, desde que se apresentasse mensalmente na Embaixada da Espanha no país.

García Juliá descumpriu as condições e, após ser preso na Bolívia em maio de 1996 por narcotráfico, a Justiça da Espanha revogou a liberdade condicional do terrorista.

A Espanha apresentou um pedido de extradição à Bolívia, que não teve resultado. Foi então que García Juliá começou a circular pela região com documentos falsos, passando por Chile, Argentina e Venezuela antes de se mudar para o Brasil em 2001.

O terrorista, de 63 anos, foi preso na última semana em uma operação da Polícia Federal em São Paulo. Os agentes encontraram com eles documentos falsos em nome de um cidadão venezuelano.

Ele ainda deve cumprir dez anos de prisão na Espanha./ AFP e EFE

 

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