AP Photo/Steve Ruark
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Promotoria retira acusações contra policiais pela morte de jovem negro nos EUA

Para procuradora-geral de Maryland, investigação sobre caso Freddie Gray estava ‘enviesado’; episódio desencadeou protestos em 2015

O Estado de S. Paulo

27 Julho 2016 | 15h51

WASHINGTON - A Promotoria do Estado da Maryland, nos Estados Unidos, encarregada do julgamento sobre a morte do jovem negro Freddie Gray, na cidade de Baltimore, decidiu nesta quarta-feira, 27, retirar todas as acusações contra os três policiais que ainda deveriam ser julgados. A decisão coloca fim ao caso sem a condenação de nenhum dos seis  envolvidos. 

Com a denúncia de que o processo estava “enviesado”, o órgão anunciou a retirada das queixas contra Garrett Miller, William Porter e Alicia White, que seriam julgados pela morte de Gray. O jovem morreu em abril do ano passado, após uma semana em coma em razão das graves lesões sofridas enquanto era transportado em um furgão da polícia.

“Poderíamos ter julgado esse caso e casos como esse cem vezes e ainda assim teríamos o mesmo resultado”, declarou a procuradora-geral de Baltimore, Marilyn Mosby, em um discurso depois do anúncio. Ela havia prometido fazer justiça ao que considera um “homicídio” em razão da negligência dos policiais. 

“Tivemos de considerar que as probabilidades de condenação eram péssimas”, disse Marilyn. Segundo ela, o juiz encarregado do caso, Barry Williams, já havia livrado do caso outros três policiais que enfrentavam acusações: Brian Rice, Edward Nero e  Caesar Goodson.   A procuradora denunciou que o Departamento de Polícia de Baltimore influenciou de forma desmedida “todas as etapas da investigação”. 

O caso de Freddie Gray reabriu a fissura racial existente no país e gerou graves conflitos em Baltimore, centenas de detenções e protestos em todo o país dentro do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). A decisão  representa o encerramento de um dos julgamentos mais acompanhados nos EUA nos últimos tempos.

No dia 18, um tribunal inocentou de todas as acusações o tenente Brian Rice, acusado de não impedir os ferimentos mortais sofridos por Gray sob custódia policial. Rice, que é branco e estava em liberdade após ter pago uma fiança de US$ 350 mil, se livrou de outra acusação de má conduta e de um crime de agressão em segundo grau durante o processo judicial.

Os seis agentes da polícia local acusados da morte de Gray, três negros e três brancos, estavam sendo julgados separadamente. Rice é um dos policiais que decidiu deter Gray enquanto patrulhava de bicicleta pelo bairro de Sandtown.

A promotoria afirmou que ele  não cumpriu com seu dever ao não colocar o cinto de segurança em Gray, enquanto outros agentes puseram algemas nos punhos e nas pernas do detido, o que o impedia de se segurar para não se chocar com as paredes do veículo.

A acusação considerou que o jovem negro pode ter sido submetido à prática conhecida como “passeio do cowboy”, no qual os detidos são transferidos sem cinto de segurança na cela metálica do veículo entre freadas fortes e viradas bruscas, para que se machuquem.  

“O que (os policiais) fizeram a meu filho foi mal. Sei que mentiram. Sei que o mataram”, declarou a mãe de Gray, Gloria Darden, ontem, após conhecer a decisão. / EFE

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