Promotoria sueca, empresa de cartões e banco são alvos de ataque hacker

Instituições têm em comum ações contra fundador do WikiLeaks; vínculo com o site não é confirmado

Reuters e Associated Press

08 de dezembro de 2010 | 12h36

ESTOCOLMO - Supostos ataques de hackers que apoiam o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, bloquearam o site da promotoria sueca e o do advogado responsável pelas alegações de crimes sexuais cometidos por Assange, disseram autoridades nesta quarta-feira, 8. Hackers também teriam atacado a página da Master Card e de um banco suíço, instituições que romperam relações com o WikiLeaks.

 

Veja também:

especialEspecial: Por dentro do WikiLeaks

blog Radar Global: principais vazamentos do 'cablegate'

lista Veja tudo o que foi publicado sobre o assunto

 

A promotora, cujo mandado de prisão resultou na decisão de um tribunal britânico, na terça-feira, de manter Assange detido, disse que havia informado a polícia sobre o ataque. "É claro, é fácil pensar que há uma ligação com o WikiLeaks, mas não podemos confirmar isso", disse Fredrik Berg, editor do site da promotoria, falando à Reuters Television.

 

O site ficou fora do ar durante a maior parte da noite de terça-feira e parte desta quarta-feira. Segundo um comunicado, o órgão apresentou uma queixa à polícia depois do incidente.

 

A promotoria não disse de onde surgiu o ataque, mas uma informação do site Operation Payback, que diz lutar pela liberdade na internet, colocada 16 horas antes no Twitter, dizia que a promotoria seria um de seus alvos.

 

A MasterCard e um banco na Suíça também confirmaram terem sido alvo de ataques. As duas instituições romperam nos últimos dias sua relação com o site WikiLeaks, que tem divulgado documentos diplomáticos secretos dos EUA.

 

O grupo de hackers, autodenominado Anon_Operation, informou em uma mensagem no site Twitter que "o www.mastercard.com está fora do ar" e que o site da gigante do setor de cartões de crédito não podia ser acessado em Genebra.

 

O braço bancário do serviço postal suíço, PostFinance, confirmou nesta quarta-feira que seu site estava sofrendo um ataque virtual, desde que fechou uma conta bancária do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na segunda-feira. O banco argumentou que Assange havia fornecido um endereço falso em seu cadastro.

 

As tentativas de entrar o site do Postfinance.ch nesta quarta-feira geravam mensagens de erro. O banco suíço afirma que qualquer depósito pertencente a Assange e o dinheiro que estava na conta podem ser transferidos para uma conta determinada por ele.

 

Assange e entregou à polícia britânica na terça-feira, pois era procurado por acusações de estupro e outros crimes na Suécia. Ele não teve direito a pagar fiança e segue preso.

 

Saiba mais:

linkAustrália culpa EUA por vazamentos do WikiLeaks

linkSupostas vítimas de Assange não fazem parte de complô

 

Há também informações de que hackers estejam atacando o site e o e-mail dos representantes legais das duas mulheres suecas que acusam Assange. "Nosso e-mail e site foram alvos de hackers na noite passada e nesta manhã", disse nesta quarta-feira o advogado Claes Borgstroem, que representa as mulheres.

 

Segundo ela, aparentemente são as mesmas pessoas que atacaram o site da promotoria sueca, que ficou fechado na terça-feira, mas voltou a funcionar nesta quarta-feira.

 

Assange é considerado o responsável pelo vazamento dos mais de 250 mil documentos americanos, que começou no dia 28 de novembro e causou constrangimento às autoridades americanas por ter revelado segredos da política externa dos EUA. Washington classificou a ação como irresponsável e como uma ameaça à segurança nacional.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.