Pronta para armar rebeldes, França pede à UE que levante embargo à Síria

Apoio externo. Presidente François Hollande afirma que pretende 'apoiar rebelião' contra Bashar Assad, justificando que não permitirá 'o massacre de uma população'; com apoio de Londres, Paris pressiona Bruxelas a suspender veto ao fornecimento de armas

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2013 | 02h04

O chanceler da França, Laurent Fabius, disse ontem que seu país está pronto para armar os rebeldes sírios, em desafio ao embargo de fornecimento de armas que a União Europeia aplica ao país. O presidente francês, François Hollande, reforçou a declaração do ministro, afirmando que Paris pedirá ao bloco que levante o bloqueio, pois a Europa "não pode permitir que o massacre do povo sírio continue".

Hoje, o levante contra o ditador Bashar Assad completa dois anos. Cerca de 70 mil pessoas morreram na guerra civil, segundo as estimativas mais recentes da ONU. "Queremos que os europeus levantem o embargo (de armas). Estamos prontos para apoiar a rebelião, para avançar até esse ponto. Devemos assumir nossa responsabilidade", afirmou Hollande, ao chegar à cúpula da UE em Bruxelas, explicando que essa ajuda não serviria "para avançar na direção de uma guerra total". "Para nós, uma transição política deve ser a solução para a Síria."

Hollande afirmou também que "a França deve antes convencer seus parceiros" a suspenderem o bloqueio. "Não podemos permitir que uma população seja massacrada como está sendo hoje", disse.

De acordo com o chanceler francês, Paris pretende fornecer armas para os rebeldes mesmo que outros países do bloco europeu discordem da manobra. França e Grã-Bretanha têm intensificado os pedidos para que os insurgentes recebam armamento, sob o argumento de equilibrar as forças em combate na Síria.

No entanto, outros governos europeus, entre eles o da Alemanha, resistem à medida, temendo que isso alimente a violência na região. Os EUA e outras nações temem ainda que as armas fornecidas pelo Ocidente caiam na mão de extremistas islâmicos.

Em Bruxelas, Hollande e o premiê britânico, David Cameron, reuniram-se a portas fechadas antes da cúpula e concordaram em discutir com outros líderes do bloco quais alternativas a UE tem diante do embargo contra a Síria. "Ele não impede os que estão ajudando Assad, impede os países da UE de ajudar aqueles contra quem Assad vem travando uma guerra brutal", disse a porta-voz de Cameron.

Um líder rebelde sírio disse ontem que a maioria dos 300 insurgentes treinados pelos EUA a usar armas antiaéreas e antitanques na Jordânia - o primeiro contingente formado pelos americanos para combater as forças de Assad, segundo a revista Der Spiegel - está pronta para o combate e retornando para a Síria.

Diplomatas ocidentais afirmaram ontem que o Irã tem aumentado significativamente seu apoio militar ao regime sírio nos último meses, solidificando sua posição - juntamente com a Rússia - como aliado de Assad. O armamento iraniano continua a entrar na Síria pelo Iraque, segundo os diplomatas, mas outras rotas, pela Turquia e pelo Líbano, têm sido cada vez mais usadas. Funcionários turcos e iraquianos negaram as alegações. / REUTERS e AP

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