Propaganda é arma de Síria e Israel no Golan

Os dois países vizinhos fazem de tudo para justificar seu direito às colinas, ocupadas pelos israelenses em 1967, após a Guerra dos Seis Dias

Gustavo Chacra, ENVIADO ESPECIAL / DAMASCO, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2010 | 00h00

Apesar da aparente estabilidade na fronteira, Israel e Síria vivem em estado de guerra desde a criação dos dois países, no fim dos anos 1940. O centro do conflito: as Colinas do Golan, ocupadas pelos israelenses em 1967.

A cerca de 50 quilômetros de Damasco, o Estado visitou parte da área em disputa que ainda está sob controle da Síria e da Undof (Forças da ONU para o Golan) - Israel anexou o restante do território, onde estão quase todas as vilas da região. Embora as armas tenham silenciado, os dois lados tentam, pela propaganda, afirmar seu direito sobre a região.

Quem visita as colinas pelo lado sírio é apresentado a um roteiro elaborado por Damasco para mostrar uma imagem negativa de Israel. A primeira parada são as ruínas da cidade de Quneitra, destruída pelos israelenses em 1973. Quneitra é única cidade devolvida por um armistício mediado pelos EUA. Os sírios também levam os visitantes a uma área de onde, a metros de distância, observam-se as vilas erguidas do outro lado da fronteira, ocupadas por Israel desde a Guerra dos Seis Dias.

Estilo cowboy. Ao observar o alto do Monte Hermon, símbolo do Golan que separaria a Síria do Líbano, é possível ver torres de controle do Exército israelense. Israel, no inverno, também mantém estações de esqui nas montanhas, que são usadas para caminhadas nos meses mais quentes.

"As Colinas do Golan oferecem aos turistas uma autêntica experiência de cowboy nos seus ranchos com cavalos e gado", informa em seu site o Ministério do Turismo de Israel. No texto, eles ignoram a palavra Síria.

A situação não é muito diferente no lado controlado pelos sírios. Em Quneitra, há uma maquete gigantesca para retratar a totalidade das colinas, incluindo também áreas do Líbano e de Israel - os sírios chamam de Palestina o que hoje é o Estado israelense.

"Enquanto não houver paz, não reconheceremos Israel", disse Mohamed Ali, responsável pela entidade de defesa das Colinas do Golan.

Quando ocupou o território, Israel buscava impedir que os sírios continuassem os constantes ataques contra cidades israelenses do outro lado da fronteira. As colinas passaram a servir como uma zona de isolamento. Ao mesmo tempo, Israel começou a construir assentamentos no território, onde hoje vivem cerca de 17 mil colonos judeus.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.