Proposta brasileira contra espionagem é ineficaz, diz criador da internet

Tim Berners-Lee defendeu ativistas como Edward Snowden e outros que revelaram segredos de espionagem

JAMIL CHADE - CORRESPONDENTE / GENEBRA,

05 de dezembro de 2013 | 11h05

GENEBRA - O criador da internet, Tim Berners-Lee, criticou nesta quinta-feira, 5, a proposta do governo brasileiro de obrigar empresas da web a instalar seus servidores no País."Trata-se apenas de uma reação emocional do Brasil. Na prática, não terá qualquer impacto", disse Lee em entrevista coletiva em Genebra.

Conhecido como pai da web, Lee saiu em defesa de ativistas como Edward Snowden e outros que revelaram informações de como o governo americano está usando sua criação para monitorar milhões de pessoas. Mas insiste que a saída não é o que sugere o Brasil.

"Isso não ajuda", disse o britânico. "Não é prático e não é a forma de resolver o problema da espionagem. Essa estratégia não será eficiente e não vai parar a espionagem"

Em meados de novembro, o ministro das Comunicações Paulo Bernardo garantiu que o governo não recuaria da proposta de obrigar as empresas de internet a instalar seus servidores no país, mesmo depois de críticas de especialistas do setor e da oposição de gigantes como a Google e o Facebook.

A proposta foi incluída no texto do Marco Civil da internet, projeto de lei que vai regular a web no País, como forma de endurecer o controle do governo sobre a possibilidade de espionagem e garantir que empresas forneçam informações à Justiça brasileira, se solicitado.

Berners-Lee explicou que a opção do governo brasileiro não vai funcionar por dois motivos. "O primeiro é técnico. Vai ser mais difícil operar redes sociais se cada um dos países exigir agora que servidores estejam em seis países. O segundo motivo é que a web tem como sua fortaleza justamente o fato de não ter uma nação. É algo que é mais que ser internacional. Internacional é a ONU. A web não tem nação e nacionalizar servidores não vai funcionar", declarou.

O britânico ainda alerta que a introdução desse debate no Brasil pode acabar retardando a aprovação do Marco Civil. "O que eu recomendo é retirar isso (exigência sobre servidores) e não enfraquecer o Marco, que é bom", disse o criador da web. Ele não deixou ainda de elogiar o Brasil por "liderar o debate no mundo" no que se refere à web e sua proteção.

Interseção: Como os países podem regular a internet?

Tudo o que sabemos sobre:
Tim berners-LeeNSA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.