Proposta brasileira em Durban é polêmica

O governo brasileiro apresentou na Conferência Mundial contra o Racismo a idéia de criar cotas para jovens afro-descendentes nas universidades. Mas, para tirar a proposta do papel, o caminho é longo e complicado. Um primeiro ponto, levantado pela psicóloga Irene Sales de Souza, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Franca, é a definição de quem é afro-descendente."A criação de cotas ajuda, mas não resolve o problema. Há muito a ser definido, como a identidade dos afro-descendentes. É a cor da pele ou a existência de parentes negros na família", questiona a pesquisadora, que desde 1984 estuda a discriminação racial.Problema é maiorPara o presidente do sindicato dos professores da rede municipal de São Paulo, Cláudio Fonseca, a exclusão dos negros resulta de um problema maior: a exclusão social e econômica dessa população. "Os negros não chegam à universidade porque só têm acesso a escolas ruins e, muitas vezes, são forçados a abandonar os estudos para trabalhar", analisa Fonseca.Para ele, que é negro, seria mais eficaz se o governo investisse em educação, oferecendo escola pública de qualidade para todos.DefasagemO fato de, em geral, os negros terem acesso a escolas públicas de qualidade discutível levanta outro ponto, na opinião do coordenador do vestibular das universidades estaduais do Rio, Paulo Fábio Salgueiro.O Estado do Rio aprovou, recentemente, a reserva de vagas para estudantes de escolas públicas, onde boa parte dos negros e pobres estudam."As pessoas falam em reservar vagas, mas não pensam em mecanismos para recuperar eventuais defasagens de aprendizagem desses estudantes", afirma. Uma conseqüência, na opinião dele, pode ser o aumento da reprovação e da evasão. "Se o aluno não consegue acompanhar o curso, ele o abandona."

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