Proposta de Olmert enfurece colonos judeus

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, desencadeou uma tempestade política em seu país ao relacionar o conflito no Líbano com seu plano de retirada de parte da Cisjordânia, levando alguns colonos judeus a ameaçar não combater no Exército se Israel continuar com o plano de retirada dos territórios palestinos ocupados. Olmert, em uma entrevista concedida à Associated Press, afirmou que o resultado do confronto no Líbano poderia dar um impulso à sua proposta de saída da Cisjordânia. Depois da reação negativa dos setores mais conservadores, Olmert se apressou em divulgar um comunicado em que diz que sua única tarefa nesse momento é combater o grupo guerrilheiro xiita pró-iraniano Hezbollah. Ao reforçar que sua prioridade é o combate ao Hezbollah, Olmert afirmou também que o conflito no Líbano "nada tem a ver com futuras ações políticas relacionadas a outras áreas" nas quais Israel tenha interesses em jogo.Na entrevista exclusiva à AP, a primeira concedida por Olmert desde o início dos ataques ao Líbano, o primeiro-ministro israelense disse acreditar que o conflito "levará a uma nova ordem que trará mais estabilidade" e "criará uma janela de oportunidade" para israelenses e palestinos. "Nós queremos nos separar dos palestinos". "Nós queremos ajudar a criar uma realidade que permitirá aos palestinos realizarem seu sonho de uma vida inteira com a fundação de um Estado ao lado de Israel, com contigüidade territorial", afirmou. De acordo com planos divulgados por Olmert à época de sua campanha ao posto de chefe de governo, Israel sairia da maior parte da Cisjordânia, mas manteria os principais blocos de assentamentos judaicos para que possam ser estabelecidas as fronteiras definitivas em um eventual acordo de paz permanente, sem que a maioria dos colonos seja afetada. Indignação As declarações do primeiro-ministro enfureceram os colonos judeus e os políticos de extrema direita, que o acusaram de manipular o conflito no Líbano da forma mais conveniente à sua agenda política particular. O premier foi acusado de colocar em risco a vida dos soldados israelenses no Líbano para, depois, tirar judeus de suas casas construídas em colônias judaicas estabelecidas nos territórios palestinos ocupados. Diversos colonos judeus ficaram tão indignados com a sugestão que ameaçaram desertar. "Olmert saiu da linha. Ele atirou em nossos soldados pelas costas no meio de uma ofensiva", opinou Pinhas Wallerstein, um líder dos colonos judeus. O oposicionista Partido Likud, no qual Olmert militou até o ano passado, considerou que os comentários do primeiro-ministro "abrem uma fenda no coração do consenso" sobre a guerra no Líbano. O colunista político Ben Caspit escreveu no jornal Maariv que as palavras de Olmert são "uma combinação de liderança insensata, arrogância característica, teimosia patológica e insensibilidade extrema". Effi Eitam, do Partido União Nacional, conversou com Olmert depois de ter recebido diversos telefonemas de soldados da reserva de diferentes partes do país, que ameaçavam não servir no Líbano por causa das palavras do primeiro-ministro.As palavras do primeiro-ministro à AP dominaram os noticiários em Israel na manhã desta quinta-feira. Acredita-se que o assunto se transformará numa das mais difíceis batalhas políticas para Olmert quando eventualmente o conflito no Líbano terminar e ele tentar encontrar uma solução de longo prazo para as relações de Israel com os palestinos.

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