Proposta decepciona ''Obamistas''

Base que elegeu o presidente não se mobiliza e direita rouba a cena

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente Barack Obama venceu as eleições graças à mobilização de milhões de militantes. Mas, como ele mesmo já havia avisado, governar é bem mais difícil do que vencer uma eleição. Agora, os ativistas estão frustrados com a dificuldade de aprovar o principal tema da agenda da esquerda: a reforma do sistema de saúde. "Não esperava que esse governo fosse reagir dessa maneira fraca aos ataques da direita", disse ao Estado Alex Lawson, um dos coordenadores do grupo DC for Obama e pesquisador de saúde da ONG Campanha para o Futuro da América. "Também nunca imaginei que esse governo não utilizaria bem os militantes para aprovar a reforma do sistema de saúde." Os republicanos, em contrapartida, finalmente conseguiram organizar sua base. "Não é só a reforma do sistema de saúde que está nos mobilizando - também somos contra o pacote de estímulo e a lei para combater o aquecimento global. Estão gastando nosso dinheiro em todas essas coisas com as quais não concordamos", disse Amy Meneffee, diretora de comunicações do Americans for Prosperity, grupo de conservadores que tem 700 mil integrantes. "Somos contra a ideia básica de ter o governo interferindo nas decisões das pessoas e tirando de nós mais dinheiro com impostos."O Congresso está em recesso e os legisladores voltaram para seus Estados, onde estão realizando várias assembleias para discutir os planos de reforma. Essas reuniões, entretanto, transformaram-se em uma grande guerra ideológica. A reforma do sistema de saúde virou uma desculpa para as centenas de ativistas de direita que sequestraram os encontros: são defensores do direito ao porte de armas, opositores do aborto e do casamento gay. Grupos conservadores como o de Amy estão convocando a militância para participar dessas assembleias."A esquerda começou a reagir só agora. Antes, a direita estava dominando o debate", diz o cientista político Terry Madonna, diretor do Centro de Política do Franklin and Marshall College, na Filadélfia. Na quinta-feira, cerca de 500 manifestantes se reuniram diante do comitê nacional do Parido Democrata para pedir a inclusão do plano de saúde público na reforma.

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