Atef Safadi/EFE
Atef Safadi/EFE

Prós e contras de uma saída dos EUA do acordo climático de Paris

Senadores argumentam que decretos contra regulamentações climáticas de Obama na prática já anulam pacto

Amber Phillips / THE WASHINGTON POST*, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2017 | 05h00

Pesquisas mostram que a maioria dos americanos quer que o presidente Donald Trump mantenha o país no acordo sobre o clima firmado em Paris. No entanto, se ele decidir retirar os EUA desse acordo, será um raro momento em que fará exatamente o que os republicanos no Congresso desejam. Na semana passada, mais de 20 senadores republicanos influentes enviaram carta ao presidente insistindo para ele tirar os americanos do pacto assinado por quase 200 países que concordaram com reduções significativas das emissões de carbono até 2030.

Não sabemos o quanto essa carta influenciou o presidente, mas seu governo está dividido no assunto e ela foi enviada alguns dias antes de ele se decidir. Portanto, vale a pena rever os argumentos apresentados pelos senadores republicanos que querem a retirada do país do acordo de Paris e as alegações dos ambientalistas que defendem a permanência.

Primeiro argumento: Basicamente, Trump já se retirou do acordo. Com os trabalhadores da indústria do carvão do seu lado, o presidente assinou um ordem executiva, em março, suspendendo várias normas baixadas pelo presidente Barack Obama associadas à questão climática, seu sinal mais claro de que não implementará os limites de emissão de gás com efeito estufa determinados pelo ex-presidente.

Trump ordenou que o governo federal:

- Faça uma revisão das normas sobre o volume de carbono que as centrais elétricas podem emitir.

- Suspenda uma moratória sobre liberação de extração de carvão em terras federais.

- Remova exigência de que todos os funcionários federais devem levar e conta o impacto da mudança climática no momento de tomar uma decisão.

“A ordem derruba o acordo de Paris assinado pelo presidente Obama no ano passado”, disse o senador republicano John Barrasso, de Wyoming, que preside a comissão sobre meio ambiente no Senado, em um artigo publicado pelo Washington Post.

Em sua carta, os senadores alegam que o presidente dará uma impressão equivocada se mantiver o acordo, concordando com os cortes das emissões de carbono e aumentar os limites dessas emissões para as usinas do país.

Segundo argumento: Se o senhor mantiver o acordo, será processado. O objetivo de Trump parece ser eliminar o Clean Power Plan, implementado por Obama, em 2014 e exigindo que os Estados reduzam as emissões de dióxido de carbono para um terço dos níveis de 2005 em 15 anos.

Os legisladores republicanos odeiam este plano. Ele está repleto de normas que, de acordo com eles, prejudicará as empresas de energia em seus Estados, caso do líder da maioria republicana no senado, Mitch McConnell, de Kentucky.

Para os ambientalistas, o Clean Power Plan é o melhor meio de reduzir as emissões face a um Congresso relutante a adotar alguma medida. Diante da tensão política, certamente, os grupos ambientalistas recorrerão aos tribunais assim que Trump revogar as regras sobre as emissões de carbono. Em abril, um tribunal federal concedeu ao governo uma pausa de 60 dias com relação a todos os processos envolvendo o Clean Power Plan, para o governo avaliar outra vez o caso.

Os senadores republicanos argumentam que, se Trump mantiver o país no acordo, os grupos ambientalistas continuarão a contestá-lo nos tribunais. “É claro que os que defendem essas normas sobre as emissões de gases usarão o Acordo de Paris como defesa legal novamente”, diz a carta.

O que o outro lado afirma: Trump, de qualquer modo ,será acionado judicialmente. “Abolir as normas exigirá o mesmo processo que foi necessário para elaborá-las”, segundo David Doniger, diretor do programa para o ar limpo e o clima do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.

Terceiro argumento: Se os EUA permanecerem no acordo, a China é que vai ganhar. Os americanos estão entre os maiores emissores de gases estufa do mundo e devem reduzir 21% das emissões com base no pacto firmado em Paris, afirmou o jornalista Chris Mooney, do Washington Post.

Em comparação, a China vai se safar facilmente, afirmam os senadores republicanos. “O Acordo de Paris impôs metas irrealistas para os Estados Unidos reduzirem suas emissões de carbono. Foram estabelecidos níveis mais altos do que os impostos para a maior parte do mundo, dando a países como a China carta branca nos próximos anos”, diz Barrasso.

O que o outro lado afirma: desde a assinatura do acordo, em Paris, a China intensificou seus esforços para reduzir as emissões de carbono, em grande parte porque a poluição é tamanha que o país não tem outra escolha. 

O apetite da China por carvão está diminuindo “e os chineses e indianos estão decididos a ir mais além dos compromissos firmados em Paris, de acordo com a organização Climate Action Track, em seu informe de maio. Se a China persistir em seu objetivo de reduzir as emissões mais do que o prometido em Paris, poderá até mesmo compensar um aumento de emissões nos Estados Unidos. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

*É JORNALISTA

 

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