Prossegue impasse na Otan sobre proteção à Turquia

Pelo segundo dia consecutivo os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não conseguiram romper o impasse sobre o planejamento da proteção à Turquia para a eventualidade de um ataque norte-americano ao Iraque, que faz fronteira com o território turco.França, Alemanha e Bélgica mantiveram o veto à aprovação de ações de defesa enquanto não forem esgotadas todas as possibilidades de se resolver pacificamente a crise iraquiana.Os três países já haviam se oposto à definição da ajuda na segunda-feira. Com isso, ficam em suspenso os planos de defesa da Turquia, uma vez que as decisões da Otan têm de ser adotadas por unanimidade.Entre as medidas propostas pelos EUA, com o apoio de outros 15 membros, entre os quais a Grã-Bretanha, estão o envio de aviões de reconhecimento Awacs, baterias antimísseis Patriot e unidades treinadas para conter ataques com armas químicas e biológicas.Foram realizadas duas tentativas, em sessões pela manhã e pela tarde - a última durou apenas 20 minutos. Os embaixadores dos 19 membros da Otan voltarão a reunir-se amanhã pela manhã para tentar chegar a um acordo e pôr fim a uma das mais sérias crises da organização, em seus 53 anos de existência."Essencialmente, ainda não há nenhuma conclusão sobre as discussões em andamento. As consultas entre os aliados prosseguirão no fim da tarde e à noite", disse o porta-voz da aliança atlântica, Yves Brodeur. "É uma questão séria e todos estão comprometidos a trabalhar duramente para tentar encontrar uma solução." Brodeur disse que algumas propostas estão sendo discutidas, mas o "contexto" da disputa não mudou.A divisão na aliança atlântica prejudica os esforços do presidente norte-americano, George W. Bush, de buscar o apoio do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) para uma ação militar contra o Iraque. França, Rússia e China - países com direito a veto no CS, ao lado dos EUA e Grã-Bretanha - defendem a concessão de mais tempo para o trabalho dos inspetores de armas.O pedido de proteção ao território turco havia sido encaminhado inicialmente pelos EUA e, esta semana, pela Turquia, que invocou o artigo número 4 do tratado de fundação da Otan.Essa cláusula estabelece o compromisso de decidir a proteção de um membro que perceber uma ameaça a sua integridade territorial, independência política ou segurança.Desde a criação da aliança atlântica apenas a própria Turquia havia recorrido a esse artigo, em caráter confidencial, durante a Guerra do Golfo (1991).O chanceler britânico, Jack Straw, declarou hoje que o veto de França, Alemanha e Bélgica ameaça a aliança militar. "A inação diante da ameaça a um aliado pode corroer compromissos solenes que fundamentam o Tratado do Atlântico Norte e minar a relação de defesa transatlântica que serviu tão bem a todos durante a Guerra Fria e a década turbulenta que a sucedeu", afirmou Straw.

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