Anoek de Groot/AFP
Anoek de Groot/AFP

Prostitutas de Amsterdã resistem em sair do Distrito da Luz Vermelha

Prefeitura da cidade avalia acabar com ponto turístico ou mover bordéis para pontos mais remotos da cidade, com justificativa de melhorar condições de trabalho e reduzir tráfico humano

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 18h02

AMSTERDÃ – A intenção da primeira prefeita de Amsterdã em acabar com o Distrito da Luz Vermelha, região que virou ponto turístico da cidade por causa das vitrines que exibem prostitutas, tem gerado críticas tanto por parte das profissionais do sexo quanto pelos proprietários dos bordéis concentrados no distrito de De Wallen, no centro da cidade.

O texto apresentado no início de julho pela prefeitura tem como objetivo acabar com a desordem e a insegurança na região, além de combater a prostituição ilegal na cidade e melhorar as condições de trabalho.

Uma das alternativas consideradas pela prefeitura é mudar os bordéis de lugar, levando-os a bairros mais afastados da cidade, distantes do centro histórico, para desgosto de muitas prostitutas.

“Nosso estudo feito com 170 profissionais do sexo (que trabalham) atrás das vitrines mostrou que 93% delas não querem sair do Distrito da Luz Vermelha”, afirmou à agência France Presse Felicia Anna, presidente do sindicato Red Light United.

Situado no centro da cidade, próximo à uma igreja e à estação central da cidade, o Distrito é uma das maiores atrações turísticas de Amsterdã, que recebeu no ano passado 18 milhões de visitantes, em comparação aos seus 850 mil habitantes.

A Luz Vermelha, entretanto, está longe de ser um cartão postal da cidade: a região convive com o aumento da criminalidade e de turistas em busca de festas, apelidada pela polícia como o “quilômetro quadrado da miséria”.

A prefeita Femke Halsema apresentou quatro propostas para “frear a criminalidade e o tráfico de seres humanos”, além de “tornar a vida mais agradável aos habitantes do bairro”.

'Hotel da prostituição'

Em uma primeira hipótese, Halsema propõe fechar as cortinas das vitrines para que as profissionais do sexo não sejam visíveis da rua.

Igualmente estudam-se opções como transferir alguns bordéis para outros bairros ou fechar o Distrito da Luz Vermelha e abrir um novo em outra parte da cidade, distante do centro turístico.

A quarta proposta sugere aumentar o número atual de 330 vitrines, com o objetivo de deter a prostituição ilegal. Neste caso, poderia estar inclusa a criação de um “hotel da prostituição”.

“Só essa última opção nos favorece”, defende Felicia Anna. Ela afirma que ela e suas companheiras de trabalho não precisam de mais proteção da prefeitura.

“Dizer que somos vítimas e vulneráveis ao tráfico não nos ajuda. Nos estigmatiza. Deixem de falar da gente assim”, denuncia.

Os moradores do Distrito da Luz Vermelha relatam que muitas vezes há atritos com turistas, normalmente grupos de jovens, que andam pelo bairro para ver as famosas vitrines.

“As mulheres são tratadas como animais de circo”, relata um vizinho, que defende que muitos moradores apoiam a proposta de fechar os bordéis, ou de que eles sejam realocados.

Os profissionais do setor admitem que há problemas, mas estimam que o fechamento ou a mudança de local das vitrines não é uma solução.

Residentes, proprietários de bordéis e prostitutas se reuniram recentemente com integrantes do conselho municipal, entre eles a prefeita, para discutir as propostas. Haverá uma reunião do conselho em setembro, antes que uma decisão seja tomada.

“Entre as opções, acreditamos que a quarta é a melhor”, declara Mastern Stavast, proprietário de 27 bordéis e habitações alugadas à prostitutas.

“Não somente porque queremos mais vitrines, mas também porque tudo se concentra nesta região. E isso não é bom”, explica.

Seu filho e sócio, Dave Koreke, concorda: “Amsterdã não é tão grande e há muitas pessoas nas ruas daqui atualmente. Algo deve mudar”. / AFP

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