Protecionismo dos EUA deve aumentar, prevê Lampreia

A desaceleração da economia norte-americana vai inflamar ainda mais os setores protecionistas dos Estados Unidos, como o siderúrgico e o têxtil. O ex-ministro da Relações Exteriores Luiz Felipe Lampréia acredita que haverá forte aumento da pressão sobre o Congresso norte-americano, por parte de sindicatos, para condicionar a concessão da TPA (Trade Promotion Authority, a via rápida para aprovação de acordos comerciais), e a inclusão de normas trabalhistas e ambientais nos acordos da Alca (Área de Livre Comércio das Américas)."Parece claro que a Casa Branca terá de ceder a interesses protecionistas e incluir esses temas nas negociações", afirmou. O ex-ministro lembrou que questões trabalhistas e ambientais podem ser utilizadas como instrumentos de proteção contra a competição comercial. "Mas ao mesmo tempo, sem o TPA, poucos países vão submeter-se a negociar a Alca primeiro com o governo e depois com o Congresso norte-americanos", disse Lampréia, em palestra para empresários no Instituto PVC. Lampréia destacou que, tanto para o Canadá quanto para os Estados Unidos, o Brasil é "apetitoso, mas, sem qualquer ideologia, o objetivo desses países é tornar o ambiente favorável para a atuação de suas empresas."O ex-ministro ressaltou que o Brasil não pode esquecer-se de seu peso nas negociações para a Alca. Destacou que, mesmo que a coesão do Mercosul esteja fragilizada, o País é individualmente forte o suficiente para negociar acordos internacionais.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.