Proteger civis é missão principal de coalizão

Ataques contra sistemas de defesa e de radares têm objetivo de aplicar a zona de exclusão aérea

Lourival Sant?Anna e Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2011 | 00h00

Os países da coalizão ocidental e árabe contra o ditador líbio, Muamar Kadafi, liderados por Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, iniciaram ontem uma intervenção militar na Líbia para impedir os ataques contra a população civil. Caças franceses, que começaram ontem a patrulhar o espaço aéreo líbio, dispararam contra cinco tanques e três veículos blindados na zona de exclusão aérea em Benghazi, cujo estabelecimento foi aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira.

Horas após a secretária de Estado Hillary Clinton participar de uma conferência internacional em Paris, que respaldou a ação militar conjunta contra Kadafi, os EUA lançaram seu primeiro ataque contra o sistema de defesa aérea e de radares da Líbia para permitir a aplicação da zona de exclusão aérea, impedir bombardeios contra a população civil e forçar a saída do ditador.

Mísseis Tomahawk foram disparados de submarinos americanos e britânicos no Mar Mediterrâneo contra a defesa aérea em Trípoli e em Misrata. O Pentágono informou que, ao todo, 112 mísseis de cruzeiro foram lançados contra 20 alvos na Líbia.

Kadafi prometeu ontem que a Líbia se defenderá do que ele chamou de "agressão dos cruzados". O ditador disse que o envolvimento das forças internacionais colocará o Mediterrâneo, o Norte da África e a população civil em perigo. Kadafi também advertiu que os depósitos de armas foram abertos para que o povo líbio possa se defender (da ofensiva). Em nota divulgada ontem, o Ministério das Relações Exteriores da Líbia pediu uma reunião urgente com o Conselho de Segurança da ONU. Segundo a TV estatal líbia, ao menos 48 pessoas foram mortas e 150 ficaram feridas na ofensiva,

Um funcionário americano disse anonimamente que o governo de Obama pretende limitar seu envolvimento, pelo menos no estágio inicial. A ofensiva na Líbia foi iniciada durante encontro em Brasília entre Obama e a presidente Dilma Rousseff.

Em uma declaração, o presidente americano disse que a opção militar não foi sua primeira escolha, mas "os EUA não poderiam permanecer inertes quando um tirano diz a seu povo que não terá misericórdia". Ele afirmou estar ciente dos riscos de se adotar uma ação militar, mas reiterou que os EUA não enviarão forças terrestres à Líbia. Pelo menos algumas nações árabes - entre elas Catar, Jordânia, Egito e Marrocos - devem se juntar à coalizão internacional em breve.

Na sexta-feira, França, Grã-Bretanha e EUA haviam advertido Kadafi que uma intervenção militar seria adotada se ele não acatasse uma resolução da ONU que exigia um cessar-fogo entre suas forças e os rebeldes líbios. Mas, apesar de o governo líbio ter anunciado uma trégua, tropas leais a Kadafi continuaram os ataques e o avanço rumo a Benghazi, principal reduto dos rebeldes. As operações da coalizão, que inclui EUA, França, Grã-Bretanha, Canadá e Itália, em território líbio começaram pouco depois de uma reunião da União Europeia, da Liga Árabe e dos Estados Unidos realizada na tarde de ontem, em Paris.

Além do presidente francês, Nicolas Sarkozy, o encontro reuniu em Paris a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, além de chefes de Estado e de governo da Alemanha, da Espanha, da Itália, da Bélgica, e de países-membros da Liga Árabe.

"Juntos, decidimos assegurar a aplicação da resolução do Conselho de Segurança", afirmou Sarkozy. "Neste momento, nossos aviões impedem os ataque aéreos sobre a cidade de Benghazi." Segundo o presidente, os países da coalizão decidiram valer-se "de todos os meios necessários, em particular os militares", para fazer respeitar a decisão tomada pela ONU na quinta.

Mas, o grupo de países feainda fereceu espaço para discussões diplomáticas com o a Líbia. "Ainda é tempo para o coronel Kadafi evitar o pior", disse Sarkozy. "A porta da diplomacia se reabrirá no momento em que as agressões cessarem."

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