Protesto anticorrupção volta a fechar Parlamento da Índia

Manifestantes exigem renúncia da ministra-chefe de Délhi; esta é a 3ª interrupção desde o fim do recesso

MATTHIAS WILLIAMS E NIGAM PRUSTY, REUTERS

08 de agosto de 2011 | 08h47

Manifestantes já haviam protestado contra a corrupção do governo em abril   NOVA DÉLHI - Parlamentares oposicionistas fecharam na segunda-feira o Parlamento da Índia para exigir a renúncia da ministra-chefe de Délhi, acusada de corrupção. É a terceira interrupção forçada dos trabalhos parlamentares desde o fim do recesso na semana passada.

O incidente empurra a coalizão governista, que busca uma agenda reformista, ainda mais para a defensiva.

O Partido Bharatiya Janata Party (BJP, oposição) exige a renúncia de Sheila Dikshit, grande nome do Partido do Congresso, porque um tribunal de contas criticou a vitória de empresas questionáveis em licitações para os Jogos da Commonwealth de 2010, que estavam sob a autoridade dela. Dikshit negou qualquer irregularidade.

Esse e outros escândalos de corrupção afetam o segundo mandato do primeiro-ministro Manmonhan Singh como premiê, num momento em que ele se empenha por manter o crescimento acelerado do país, terceira maior economia da Ásia.

A paralisação do Parlamento pode atrapalhar a tramitação de medidas como a que facilita a aquisição de terras por empresas. Várias reformas já haviam sido impedidas antes do recesso por causa de protestos semelhantes da oposição.

Uma pesquisa do Centro para o Estudo das Sociedades em Desenvolvimento (CSDS), publicada na segunda-feira pelo jornal The Hindu, mostrou que o apoio à permanência de Singh no cargo caiu de 40 por cento no primeiro semestre de 2006 para 22 por cento agora.

Segundo a pesquisa, 19 por cento dos entrevistados gostariam que o primeiro-ministro fosse Rahul Gandhi, também do Partido do Congresso. Singh tem apoio de apenas 10 por cento.

As suspeitas de corrupção surgem num momento em que a economia do país dá sinais de desaceleração, a inflação está em alta, e o Banco da Reserva da Índia (Banco Central) impôs sucessivas elevações dos juros.

"É o caso de se preocupar, com essa tendência econômica que está aí, em como vamos lidar com isso, com os mercados acionários em declínio", disse N. Bhaskara Rao, presidente do Centro para os Estudos da Mídia, de Nova Délhi.

A Bolsa indiana caiu na segunda-feira ao seu menor nível em mais de um ano, refletindo a notícia de que a Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito dos EUA. Mas o ministro das Finanças, Pranab Mukherjee, garantiu que a trajetória de crescimento da Índia continua "intacta".

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