Protesto antiviolência sai às ruas de Caracas

Sob governo Chávez, número de homicídios passa de 4 mil para 19 mil; falta de segurança [br]domina debate eleitoral

AFP, REUTERS e AP, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

CARACAS

Simulando corpos ensanguentados num necrotério, manifestantes venezuelanos deitaram ontem numa praça do centro de Caracas para protestar contra o grande aumento no número de homicídios no país durante o governo do presidente Hugo Chávez - de 4 mil assassinatos por ano em 1999, a Venezuela passou a ter 19 mil em 2009, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas da Venezuela.

Pesquisas revelam que 40% dos venezuelanos consideram a violência o maior problema do país. A situação é tida por especialistas como um dos pontos fracos dos partidários de Chávez, que enfrentam cruciais eleições legislativas em 26 de setembro. O cenário complica-se pelo fato de pelo menos 20% da polícia estar envolvida em crimes, de acordo com investigações extraoficiais.

E as políticas de luta contra a pobreza não se refletiram na redução da violência, como diz o governo. Dos mais de 15 programas de segurança oficiais, nenhum deu resultado.

O número de homicídios no país quadruplicou desde 1999, além de a Venezuela ter uma das taxas de sequestro mais altas do mundo. Mais de 2 mil pessoas foram assassinadas entre janeiro e julho, e a taxa aproxima-se dos 140 assassinatos para cada 100 mil habitantes (em São Paulo, é de 11,2). Pelo menos 30% da população diz que já foi assaltada na cidade. O número de sequestros triplicou entre 2008 e 2009, apesar de a Venezuela ter 150 corpos policiais.

O país tem 6 milhões de armas de fogo com registro legal e 4,5 milhões em situação ilegal. As armas de fogo foram usadas na maioria dos homicídios cometidos no país, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas.

Cuba. Chávez fez uma visita de cinco horas aos líderes cubanos Fidel e Raúl Castro na quarta-feira. O presidente venezuelano embarcou para Havana sem aviso prévio. Segundo comunicado oficial emitido em Cuba, os líderes conversaram sobre "os graves riscos de uma guerra nuclear" por causa de um eventual ataque dos EUA e de Israel contra o Irã.

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