AP Photos/Massoud Hossaini
AP Photos/Massoud Hossaini

Protesto após atentado no Afeganistão deixa pelo menos 4 mortos

Dias depois de 90 mortes em ataque com caminhão-bomba, Cabul amanhece sob tensão; polícia reprime manifestantes

O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2017 | 14h01

CABUL - Quatro pessoas morreram nesta sexta-feira, 2, em confrontos entre as forças de segurança e uma multidão enfurecida que pedia a renúncia do governo do Afeganistão, depois do atentado de quarta-feira, que deixou pelo menos 90 mortos em Cabul. A capital afegã amanheceu sob um clima de tensão. A polícia atirou para dispersar os manifestantes que tentavam chegar ao palácio presidencial de Cabul.

O ataque com um caminhão-bomba, que também deixou centenas de feridos no bairro diplomático e muito protegido da capital afegã, foi o atentado mais grave em Cabul desde 2001. Muitos afegãos se perguntam como os serviços de Inteligência não puderam impedir que o veículo entrasse em um bairro com tanto controle e vigiado por seguranças.

Os manifestantes, alguns deles com pedras nas mãos, se juntaram perto do local da explosão e gritaram frase contra o governo e "Morte ao Taleban". A polícia respondeu atirando, usando bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água quando vários manifestantes tentaram cruzar um cordão de segurança.

Carnificina. "Nossos irmãos e irmãs morreram no sangrento ataque de quarta-feira e nossos dirigentes não fazem nada para pôr um fim nesta carnificina", acusou Rahila Jafari, uma militante da sociedade civil.

Outro manifestante, furioso, assegurou que os protestos continuarão até a renúncia do presidente Ashraf Ghani e do chefe de governo Abdullah Abdullah. "Diariamente os terroristas matam civis inocentes. Se nossos dirigentes não podem garantir a nossa segurança, devem renunciar", disse.

Os serviços de Inteligência afegãos acusaram a Rede Haqqani, um grupo armado vinculado ao Taleban e responsável por inúmeros ataques contra as forças estrangeiras e locais no país, de cometer o atentado que ainda não foi reivindicado.

O Taleban, que realizam a sua tradicional "ofensiva da primavera", negaram qualquer envolvimento no ataque./ AFP

 

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