Protesto bloqueia ruas na capital do Paquistão

Multidão se manifesta em Islamabad em apoio a clérigo que se opõe ao governo do primeiro-ministro Ashraf, cuja prisão foi ordenada na véspera

ISLAMABAD, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2013 | 02h07

No segundo dia de protestos no Paquistão, milhares de seguidores do clérigo e opositor do governo Tahir-ul-Qadri bloquearam a avenida de acesso ao Parlamento, na capital, Islamabad. As demonstrações se espalharam pelo país. Em Karachi, manifestantes foram às ruas em favor do premiê Raja Pervez Ashraf, que teve a prisão decretada anteontem. Na área tribal de Khyber, houve marcha contra os militares.

Qadri passou a noite em um caminhão blindado, à prova de tiros e bombas, estacionado na frente do Parlamento, onde seus seguidores estão acampados. "Ninguém sabe quem está financiando toda essa estrutura. Qadri está vivendo dentro do caminhão blindado e cercado por seguranças particulares", disse ao Estado o jornalista paquistanês Shakeel Awan, que foi ao local. Segundo Awan, os paquistaneses reunidos ali são majoritariamente muçulmanos sufistas. Estudioso desta corrente do Islã, Qadri é considerado um moderado por seus seguidores e a comunidade internacional, embora já tenha defendido a pena de morte para blasfêmia, entre outras medidas radicais.

Sua aparição repentina - Qadri voltou ao Paquistão em dezembro, após sete anos vivendo no Canadá, país do qual tem cidadania - levantou suspeitas de que os militares estariam patrocinando as manifestações lideradas pelo clérigo contra o governo civil, a poucos meses das eleições gerais, previstas para maio. Ontem, seus seguidores ameaçavam invadir o prédio do Parlamento, que teve o acesso bloqueado por contêineres. "Os militares assistiam a tudo de longe", afirmou Awan.

O pedido de prisão de Ashraf pela Suprema Corte em um caso de corrupção, anteontem, primeiro dia dos protestos, aumentou as especulações. Até a noite de ontem, o chefe das Forças Armadas, general Ashfaq Parvez Kayani, mantinha o silêncio.

Mortes. Os militares foram alvo de protestos na área tribal de Khyber, onde o Exército tem feito operações contra milícias islâmicas. Os manifestantes exibiram os corpos de 15 moradores que teriam sido vítimas das forças de segurança durante a madrugada. Grupos de direitos humanos têm denunciado abusos cometidos pelos militares na região. "Também somos paquistaneses. Não nos matem", lia-se em um cartaz. / ADRIANA CARRANCA. COM AP e NYT

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