Protesto contra Berlusconi marca eleição na Itália

No primeiro dia de votação, ex-premiê é alvo de feministas; frio e desilusão com políticos aumentam abstenção

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2013 | 02h04

O frio e a descrença na classe política ajudaram a aumentar a abstenção no primeiro dia das eleições parlamentares na Itália, que se encerram hoje. Até o início da madrugada de ontem, 55% dos eleitores inscritos haviam comparecido às seções eleitorais, 5,55% a menos do que no pleito de 2008. A votação foi marcada por um protesto de feministas contra o ex-premiê Silvio Berlusconi.

A fraca participação é mais uma das razões de incerteza sobre quem será o novo primeiro-ministro do país, embora o ex-comunista Pier Luigi Bersani siga como o favorito.

As eleições gerais para as duas casas do Parlamento - a Câmara dos Deputados e o Senado - são realizadas em dois dias na Itália. Ontem, o temor dos analistas políticos se confirmou: o nível de participação no primeiro dia de eleição distrital, que define os membros da Câmara dos Deputados, caiu de 62,55%, em 2008, para 55%, em mais um indício da baixa mobilização.

Em compensação, a afluência de eleitores foi maior nas eleições regionais, que determinam a formação do Senado. Em Lazio, na Lombardia e em Molise o aumento do número de votantes variou de 2,1% a 10%.

O primeiro dia da votação ainda não esclareceu o cenário eleitoral. De acordo com pesquisas de opinião, Pier Luigi Bersani, líder do Partido Democrático (PD, de centro-esquerda), é o favorito para assumir o posto de primeiro ministro, porque deve obter a maioria na Câmara dos Deputados.

No entanto, restam dúvidas sobre se o PD conseguirá maioria no Senado, o que pode obrigar Bersani a buscar uma coalizão com o atual premiê, o centrista Mario Monti, que só aparece em quarto nas sondagens.

Entre os dois estão Silvio Berlusconi, do partido O Povo da Liberdade (PDL), em aliança com o partido de extrema direita Liga Norte, e o comediante e candidato populista Beppe Grillo, em segundo e terceiro lugares, respectivamente.

"Bersani não tem escolha, além de buscar um compromisso com Monti. Berlusconi fará um número de deputados não muito ruim e ainda haverá o voto de protesto", prevê o cientista político Philippe Moreau Defarges, pesquisador do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), de Paris.

Protestos. Bersani votou no final da manhã em uma escola da cidade de Piacenza, no norte do país. Na saída, ele convocou os eleitores a comparecerem às urnas. "Nem está nevando", brincou, referindo-se ao frio.

O dia de votação, no entanto, foi marcado por protestos contra o ex-premiê Berlusconi. O ex-premiê teve de ouvir xingamentos no momento em que votava. Três mulheres representando o movimento Femen irromperam em sua seção eleitoral, protestando, com os seios nus, gritando "Basta, Berlusconi". Elas exigiam que ele, acusado de diversos casos de corrupção e de exploração sexual de menores, abandonasse a vida política. Em frente às câmaras, Berlusconi reagiu com um leve sorriso de reprovação. "Estão exagerando", reclamou.

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