EFE/MARTIN ALIPAZ
EFE/MARTIN ALIPAZ

Protesto contra Evo acaba em confronto  em fábrica na Bolívia

Governo fecha fábrica de tecidos que empregava 800 pessoas e desagrada central sindical aliada

O Estado de S. Paulo

18 Maio 2016 | 18h31

LA PAZ - Policiais antidistúrbio dispersaram ontem uma manifestação de trabalhadores de uma indústria têxtil estatal em La Paz, a capital da Bolívia. Cerca de 5 mil operários protestavam no local contra o fechamento da fábrica, ordenado pelo presidente Evo Morales, que culminou com a demissão de 800 pessoas. 

Os policiais usaram balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão. Segundo os sindicalistas, houve feridos e presos. 

A marcha foi convocada pela Central Operária Boliviana (COB), aliada de Evo. A Empresa Nacional de Têxteis fechou as operações na segunda-feira diante da falta de clientes . “Os governos neoliberais demitiam sem compaixão e agora um governo indígena deixa 800 famílias na rua”, disse o líder sindical da Enatex, Gerónimo Cori. 

No ato, os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o presidente, que enfrenta uma queda inédita de popularidade após a derrota no referendo para disputar uma nova reeleição e o desaquecimento da economia. “Evo tinha prometido que mudaria tudo”, diziam. 

O governo boliviano investiu mais de US$ 20 milhões na fábrica. Depois do rompimento das relações diplomáticas entre Bolívia e Estados Unidos, em 2008, no entanto, a iniciativa passou lentamente a perder mercado, uma vez que o país era o principal destino das exportações. A Venezuela chegou a abrir mercado para os tecidos bolivianos, mas em virtude da crise econômica no país, as compras cessaram.

Há dez anos no poder, Evo estatizou uma série de empresas na Bolívia, mas nem todas são rentáveis. No ano passado, o governo teve de fechar uma empresa de construção civil que pertencia ao Exército, equipada com crédito de US$ 50 milhões obtido na China. 

Com a queda no preço das commodities, a Bolívia viu os recursos obtidos com a venda de gás natural, estanho e cobre caírem vertiginosamente nos últimos meses, o que obrigou Evo a cortar uma série de gastos para equilibrar o orçamento, e a buscar novas fontes de financiamento na China. / AP 

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