Protesto contra fechamento de TV reúne milhares em Caracas

Milhares de venezuelanos marcharam neste sábado, 21, para apoiar a rede de televisão RCTV, que pode não ter o contrato de concessão renovado pelo presidente Hugo Chávez. A marcha atravessou as principais ruas do centro de Caracas e terminou em frente à sede do canal, onde jornalistas, atores, políticos e opositores ao governo de Chávez se concentraram."Acredito que estamos perdendo a democracia na Venezuela", afirmou Pablo Mosco, de 72 anos. "A liberdade de expressão é um direito, como o direito de ser informado", acrescentou. Mosco acusou o presidente Hugo Chávez de tentar converter todos os meios de comunicação venezuelanos em meios estatais e de eliminar a todos que se oponham a seu governo.Os oposicionistas de Chávez alegam que o presidente decidiu não renovar a concessão de transmissão da RCTV - que termina no próximo dia 28 de maio - como uma maneira de silenciar um de seus críticos mais fortes no país e como uma forma de advertir outros meios de comunicação privados.Chávez e seus aliados, entretanto, asseguram que a medida se justifica e acusam os meios privados de estarem alienados com a oposição e de terem apoiado uma tentativa de golpe em 2002, ao transmitirem desenhos animados e vídeos no lugar das demonstrações de apoio ao presidente.Centenas de simpatizantes de Chávez, vestidos com gorros vermelhos, também se concentraram em uma praça próxima ao centro de Caracas para apoiar a decisão do presidente contra a RCTV. "Eles são falsos, são golpistas. Isto deveria ter acontecido há muitos anos", afirmou Sendy Salas, de 55 anos, que é favorável à medida de Chávez e acusa os meios privados de ignorar ou minimizar o impacto que têm os programas de saúde, as missões educativas e os mercados de alimentos subsidiados que foram implementados pelo governo.Enquanto isso, para Juanamaria Hernández, ex-trabalhadora do setor petrolífero, de 66 anos, que viu a marcha da oposição, acredita que a realidade é distinta. "O regime de Chávez busca sempre acusar aos que desistem de seu governo. Fabrica desculpas para atacá-los", afirmou.Juanamaria assegurou que os simpatizantes do governo atacaram jornalistas para impedir que a imprensa acompanhassem os fatos durante o golpe de 2002. Para ela, as autoridades mudaram as rotas do protesto diversas vezes para tentar abafar o movimento. "Logo, logo, vão colocar os protestos no metrô para que elas não sejam vistas", assegurou.Centenas de policiais, incluindo alguns armados, foram enviados ao centro de Caracas para manter a ordem e impedir qualquer conflito durante a manifestação. Não houve registros de violência e os manifestantes chegaram à sede da RCTV sem enfrentar contratempos.A decisão de Chávez foi criticada por grupos internacionais que apóiam e defendem a liberdade de imprensa, pela Igreja Católica e por outros setores da sociedade venezuelana. Enquanto isso, a RCTV afirmou que o governo não apresentou evidências suficientes para fechar o canal, que terá a opção de continuar transmitindo seu sinal por cabo, apesar de a direção já ter afirmado que não seguirá esta alternativa.

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