Rafael Marchante|Reuters
Rafael Marchante|Reuters

Milhares participam de marcha em Barcelona contra a independência da Catalunha

Os manifestantes se reuniram no centro da cidade, ​​misturando bandeiras espanholas e catalãs e dizendo "Catalunha é Espanha"

O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2017 | 09h32
Atualizado 08 Outubro 2017 | 21h33

BARCELONA - Uma semana após o plebiscito que desencadeou a pior crise política na Espanha em décadas, milhares de espanhóis saíram às ruas de Barcelona neste domingo, 8, para protestar contra o processo de independência da Catalunha e chamar a atenção para “a maioria silenciosa”, catalães que não desejam a separação da região. 

Segundo a polícia local, 350 mil participaram das marchas, mas organizadores dizem que o número foi 950 mil. Os manifestantes caminharam pelo centro da capital catalã carregando bandeiras e cartazes com as frases “Catalunha é Espanha” e “juntos somos mais fortes”, depois que políticos de ambos os lados endureceram suas posições. As centenas de bandeiras espanholas, associadas pelos separatistas à monarquia e à opressão durante o regime franquista, que proibiu o ensino do catalão, são uma imagem rara na capital catalã. Mesmo em conquistas esportivas da seleção espanhola de futebol, o símbolo raramente aparece.

O protesto deste domingo foi convocado por um grupo cujo slogan é “Chega! Recobremos a sabedoria” e foi encerrada com um discurso do Nobel de Literatura e colunista do Estado Mario Vargas Llosa. “A paixão pode ser destrutiva e feroz quando motivada pelo fanatismo e o racismo. A que mais tem causado estragos na história é a paixão nacionalista”, afirmou Llosa. Ele chamou os líderes catalães de “golpistas” e acrescentou que o movimento independentista “não vai acabar com 500 anos de história da unidade espanhola”. 

Na terça-feira, o governador catalão Carles Puigdemont deve fazer um pronunciamento ao Parlamento da região, quando pode ser declarada a independência unilateralmente. Segundo a legislação catalã, o parlamento deve declarar a independência 48 horas após a confirmação do resultado da votação. “Vamos fazer o que diz a lei”, garantiu o político. 

O que aconteceria depois da declaração de independência?

Entre os 2,3 milhões de espanhóis que votaram na semana passada, 90,18% pediram a independência. O comparecimento às urnas, entretanto, representou apenas 43% dos 5,3 milhões de eleitores, uma vez que a maioria dos opositores à independência não foi votar.

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Silêncio.

A demanda por independência tem conquistado terreno na Catalunha desde 2010 e costuma se acentuar em épocas de maior crise econômica. De acordo com pesquisas, apesar de a maioria dos catalães defender a realização de um plebiscito com autorização de Madri, pouco mais da metade ainda se opõe à independência. “Nós não queremos a independência. Mantivemos silêncio por muito tempo”, disse à agência France Press Alejandro Marcos, trabalhador da construção civil de 44 anos de Badalona, subúrbio de Barcelona. 

“Nos sentimos tão catalães como espanhóis”, disse Araceli Ponze, de 72 anos, à Reuters neste domingo. “Estamos enfrentando um tremendo desconhecido. Veremos o que acontece nessa semana, mas temos que falar bem alto para que eles saibam o que nós queremos”. A Catalunha é a região mais rica da Espanha e tem 7,5 milhões de habitantes. 

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, disse no sábado ao jornal El País que não descarta a hipótese de desfazer o governo catalão e convocar uma nova eleição na região caso seja declarada a independência. Outra alternativa seria suspender o status de autonomia da região. Puigdemont chegou a pedir uma mediação internacional para a crise com Madri, mas Rajoy se nega a dialogar até que os separatistas abandonem a ameaça de ruptura, acusando-os de praticar chantagem. / AFP e REUTERS

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