Salvatore Laporta/AP
Salvatore Laporta/AP

Protesto contra lixão na Itália leva a confrontos

Manifestantes opostos à inauguração de aterro sanitário perto do Vesúvio queimam caminhões de lixo, ônibus e carro de polícia

Guilherme Russo, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 00h00

A Província de Nápoles, no sul da Itália, enfrenta nos últimos dias violentos confrontos entre agentes de segurança e manifestantes que não se conformam com uma decisão do governo de inaugurar um novo lixão no Parque Nacional do Vesúvio. Até ontem, quando centenas de pessoas enfrentaram policiais, vários caminhões de lixo, um carro de polícia e um ônibus acabaram incendiados. Cinco pessoas foram presas.

Hoje, o Conselho de Ministros da Itália deve fazer uma reunião de emergência para discutir a situação. Além dos confrontos, a principal consequência do impasse é o acúmulo de lixo nas ruas de Nápoles, já que a circulação dos caminhões está prejudicada.

Os confrontos ocorreram principalmente na entrada do aterro sanitário da cidade de Terzigno, onde os manifestantes vêm tentando impedir os caminhões de despejar lixo, e na vizinha Boscoreale, onde um grupo destruiu vitrines de várias lojas e apedrejou carros de polícia que escoltavam os caminhões de lixo ontem. Várias pessoas ficaram feridas, no entanto, não havia números oficiais a respeito. A polícia respondeu aos ataques com bombas de gás lacrimogêneo.

O anúncio da construção do aterro sanitário Cava Vitiello serviu como estopim da revolta. E a população de Terzigno passou a exigir o fechamento do lixão inaugurado em 2009. O movimento é chamado de "Intifada do Vesúvio" e "Revolta das mães vulcânicas". Diante do depósito da cidade, atualmente um dos únicos em atividade na província, vêm ocorrendo os principais protestos, nos quais mulheres e crianças tentam impedir a passagem dos caminhões.

Em entrevista ao Estado, Angelo Genovese, líder comunitário que comanda a resistência, afirmou que cerca de 10 mil pessoas estão participando ativamente dos protestos. "A revolta estendeu-se por um vasto território. Em especial, envolvendo os municípios de Boscoreale, Terzigno e Boscotrecase. Toda a população (das cidades) é contra (a construção do novo lixão)."

Ontem, o prefeito de Boscoreale, Gennaro Langella, deixou o cargo durante um discurso em praça pública, alegando que o presidente Silvio Berlusconi, "não manteve suas promessas" sobre a questão.

Os manifestantes são acusados de receber financiamento da Camorra, a máfia napolitana, que há cerca de 20 anos controla com suas empresas o transporte e depósito de resíduos na região. Mas Genovese nega a afirmação: "Até mesmo a Procuradoria de Nápoles diz que a Camorra quer o funcionamento dos aterros e a máfia nada tem a ver com os tumultos." Genovese disse não acreditar que a população pegue em armas, a não ser que as autoridades as usem primeiro.

PARA LEMBRAR

Região enfrenta problemas com lixo há 16 anos

A Província de Nápoles sofre com o problema do lixo desde 1994, quando um estado de emergência foi decretado por conta do acúmulo de resíduos pelas ruas de várias cidades. A situação estabilizou-se e ficou calma até maio de 2007, quando a população foi obrigada a queimar toneladas de lixo jogadas nas ruas. Os aterros estavam superlotados. Atualmente, 18 deles estão com a capacidade esgotada e, além de Terzigno, que recebe quase todos os dejetos da região, apenas outros dois locais cumprem essa função.

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