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Protesto contra Putin atrai milhares em Moscou

Em aparente tentativa de conter as manifestações, investigadores convocaram vários líderes opositores para interrogatório

AE, Agência Estado

12 de junho de 2012 | 09h22

MOSCOU - Dezenas de milhares de pessoas saíram às Ruas de Moscou nesta terça-feira, 12, para o primeiro protesto contra o presidente Vladimir Putin desde sua posse. Numa aparente tentativa de conter as manifestações, investigadores convocaram vários líderes opositores para interrogatório.

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A medida dificultou ou tornou impossível a presença dos líderes ativistas na manifestação e ocorre após buscas realizadas nas residências de vários desses líderes na segunda-feira, ação interpretada como uma tentativa do governo de prejudicar a realização do protesto.

O político de esquerda Sergei Udaltsov desconsiderou a convocação, dizendo no Twitter que considera sua obrigação liderar o protesto, já que foi um de seus organizadores, o que pode levá-lo à prisão.

Udaltsov disse que a manifestação reuniu 50 mil pessoas, enquanto a polícia estimou o número de participantes em 10 mil.

A ação dos investigadores ocorre após a rápida aprovação, na semana passada, de uma nova lei que vai elevar em 150 vezes o valor da multa para aqueles que participarem de protestos não autorizados, valor que chega a quase a média de salário anual na Rússia.

"Não posso prever se sairei daqui livre ou algemado", disse Yashin aos jornalistas antes de entrar na sede do Comitê Investigativo para interrogatório.

A principal hashtag no Twitter na Rússia na segunda-feira foi "bem-vindo ao ano 37", uma referência ao ano dos expurgos da ditadura soviética sob o governo de Josef Stalin.

Os protestos desta terça-feira foram realizados com aprovação da prefeitura da capital, mas qualquer alteração em relação aos locais e ao período da manifestação pode dar à polícia um pretexto para iniciar medidas de repressão.

A manifestação anterior da oposição, realizada um dia antes da posse de Putin, em maio, terminou com violentos confrontos entre policiais e manifestantes. As buscas nas casas de líderes da oposição e os interrogatórios estão ligados aos protestos de 6 de maio.

Nesta terça-feira, Putin prometeu nesta terça-feira que não vai permitir que a Rússia seja enfraquecida por embates sociais. "Não podemos aceitar nada que enfraqueça nosso país ou divida nossa sociedade", disse Putin em discurso na televisão. "Não podemos tolerar decisões e ações capazes de levar a choques econômicos e sociais."

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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