Protesto contra restrição a motos à noite reúne 2 mil em Caracas

Segundo o governo, medida tem como objetivo reduzir a violência urbana na região metropolitana

O Estado de S. Paulo,

31 de janeiro de 2014 | 17h37

CARACAS- Ao menos 2 mil motoqueiros protestaram nesta sexta-feira, 31, pelas ruas de Caracas contra uma rei que restringe a circulação de motocicletas de madrugada, como medida para frear a violência urbana. Os manifestantes fecharam a principal via de ligação entre o centro da capital e o distrito de Petare, um dos mais populosos da região metropolitana, e entregaram uma petição ao Instituto Nacional de Transportes Terrestres (INTT).

A proposta de um toque de recolher para motos é uma das ideias do presidente Nicolás Maduro para diminuir a criminalidade à noite, principalmente depois da atriz e ex-miss Venezuela Monica Spear, morta num assalto no mês passado. Os motoqueiros dizem que a proibição afeta suas entregas e ameaçam partir para "ações de rua" caso não sejam atendidos.

O protesto foi pacífico. A Guarda Nacional Bolivariana, a Polícia Nacional e a Polícia de Sucre fizeram a segurança dos manifestantes. Depois da reunião na sede do Instituto, os manifestantes se dirigiram ao Tribunal Superior de Justiça para entregar uma cópia da petição.

O presidente do INTT, Darío Arteaga, prometeu abrir uma nova frente de diálogo com a categoria, mas ressaltou, no entanto, que o decreto que regula o horário de circulação é uma atribuição de prefeitos e governadores e não da autarquia federal. Ainda de acordo com Arteaga, projetos pilotos testados em San Cristobal e Los Teques obtiveram bons resultados.

O prefeito de Sucre, Carlos Ocariz, disse que a limitação de circulação de motos tem como objetivo reduzir a violência e deve ser empregada em toda Grande Caracas. Segundo ele, as prefeituras da região metropolitana estão procurando uma sintonia para aplicar as novas regras de maneira uniforme.

"Estamos abertos para conversar com os trabalhadores", afirmou. "Existem casos de mototáxis que trabalham em estações do metrô até 11 da noite. É um dos casos que podemos abrir uma exceção por exemplo."

Outro protesto, favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, reuniu cerca de 300 ativistas ontem em Caracas. Eles levaram à Assembleia Nacional um abaixo-assinado com 21 mil assinaturas de apoio à medida. "Somos 47 organizações de todas as cores políticas", disse o presidente da ONG Venezuela Igualitária, Giovanni Piermattei.

Reformas. Em Cuba, onde participou da reunião de encerramento da cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac), Maduro prometeu iniciar em março, quando se completa um ano da morte do presidente Hugo Chávez. Entre as reformas estão "uma reforma do modelo econômico e político" e debates que pretendem definir a natureza política do Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV) e da aliança parlamentar Grande Polo Patriótico (GPP).

"Teremos uma primeira comissão que revisará globalmente todas as definições do socialismo do século 21, do nosso modelo econômico e político e da transformação da sociedade capitalista que temos", disse o presidente. "A segunda comissão tem a ver com o desafio organizacional de construir um partido adaptado à Venezuela dos dias de hoje." / AP

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