REUTERS/Adnan Abidi
REUTERS/Adnan Abidi

Protesto de agricultores toma ponto histórico da capital indiana

Fazendeiros protestam há mais de dois meses nos arredores da capital para pedir revogação de novas leis agrícolas

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2021 | 10h00
Atualizado 26 de janeiro de 2021 | 19h15

NOVA DÉLHI - Agricultores e policiais da Índia entraram em conflito na capital do país, Nova Délhi, nesta terça-feira, 26. Uma onda de manifestantes entrou na capital com tratores e a pé, lançando um desafio ao governo do premiê Narendra Modi, no poder desde 2014. 

A manifestação sem precedentes foi pensada como uma demonstração de força dos agricultores, que já passaram dois meses acampados nos limites da cidade para se opor às novas leis agrícolas que consideram uma ameaça aos seus meios de subsistência.

Durante a manhã, alguns agricultores desviaram-se das rotas de protesto que os líderes sindicais haviam decidido com a polícia. Em vez disso, dirigiram e marcharam em direção ao centro da cidade, assumindo um grande cruzamento e escalando as muralhas do famoso Forte Vermelho de Délhi, um marco histórico construído no século 17.

Shriram Singh, de 78 anos, chefe de uma vila de Uttar Pradesh, disse que liderou 2 mil pessoas em 500 tratores para Nova Délhi. “Modi não está ouvindo os agricultores”, disse ele. “Ele acha que somos fracos, mas vamos mostrar a ele hoje como os agricultores são determinados.”

A polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo e espancou os manifestantes com varas em vários locais depois que os agricultores romperam as barricadas. Alguns fazendeiros dirigiram tratores em alta velocidade em direção aos policiais em uma área que abriga a sede da polícia e perto da Suprema Corte da Índia. Houve relatos de feridos e de uma morte. 

Somnam Ramprasad, de 75 anos, um fazendeiro de Moradabad, disse que acordou às 4 da manhã para ter certeza de que faria parte do que chamou de um “dia histórico”. "Modi está tentando enganar o mundo, mas não pode enganar os agricultores”, disse.

A tenacidade dos protestos dos agricultores e as cenas caóticas em Délhi representam um problema político crescente para o governo Modi, que conquistou uma vitória esmagadora na reeleição em 2019.

Os agricultores querem que o governo rescinda as três leis que desregulamentam a compra e venda de produtos agrícolas. Na semana passada, o governo ofereceu suspender a implementação das leis por 18 meses, mas os sindicatos de agricultores mantiveram sua exigência de revogação total.

A agricultura emprega cerca de metade da população de 1,3 bilhão da Índia, e a revolta entre cerca de 150 milhões de agricultores proprietários de terras preocupa o governo. Nove rodadas de negociações com sindicatos de agricultores não conseguiram encerrar os protestos. “As organizações agrícolas têm uma influência muito forte”, disse Ambar Kumar Ghosh, analista do centro de estudos Observer Research Foundation, de Nova Délhi.

“Eles têm recursos para mobilizar apoio e continuar o protesto por muito tempo. Também têm tido muito sucesso em manter o protesto realmente focado.” 

Líderes políticos, dirigentes sindicais de agricultores e um porta-voz da polícia de Delhi pediram calma, enquanto os protestos continuavam. As manifestações ocorreram no Dia da República - feriado nacional que marca o nascimento da Constituição da Índia -, celebrado com um desfile militar pela principal avenida cerimonial de Nova Délhi./ W. Post e Reuters 

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