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Protesto de israelenses contra ultraortodoxos reúne milhares

Manifestação ocorre em resposta a assédio que meninas têm sofrido no caminho da escola

BEIT SHEMESH, ISRAEL, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2011 | 03h05

JERUSALÉM - Uma tímida menina de 8 anos tornou-se o símbolo da mais recente luta religiosa em Israel. Na sexta-feira, imagens de Naama Margolese relatando os ataques que tem sofrido a caminho de sua escola, em Beit Shemesh, a oeste de Jerusalém, comoveram o país. E, no fim da tarde de ontem, milhares de israelenses realizaram um protesto na cidade contra a segregação feminina imposta pelos judeus ultraortodoxos, que representam cerca de metade da população local.

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Com os cabelos presos em um rabo de cavalo e usando óculos, a estudante do segundo ano afirmou que tem medo de caminhar até a escola religiosa para garotas Orot, onde estuda, pois os extremistas religiosos - ou haredim - já cuspiram nela e a insultaram, após dizer que ela estava vestida de maneira "imodesta".

Ataques do tipo são comuns em regiões habitadas por judeus fundamentalistas. Mas o caso chama a atenção pela pouca idade de Naama e pelo fato de ela pertencer a uma família de ortodoxos - emigrada dos EUA - e vestir-se com as mangas compridas e as longas saias exigidas nas instituições religiosas de ensino para meninas.

Os judeus ultraortodoxos de Beit Shemesh consideram a instituição de ensino de Naama - que tem cerca de 400 estudantes - um enclave em seu território. Com seus tradicionais chapéus negros, dezenas de religiosos insultam e intimidam fisicamente as garotas quase que diariamente, afirmando que a mera presença das meninas é uma "provocação". Segundo as vítimas e seus pais, os ataques têm ocorrido há vários meses. Os fundamentalistas da cidade são conhecidos por hostilizar adeptos de qualquer outra corrente religiosa, mesmo que judaica.

As imagens de Naama chorando enquanto caminhava para a escola chocou muitos israelenses, que criaram uma página no Facebook dedicada a "proteger a pequena Naama" que conta com mais de 10 mil seguidores.

Enquanto o caso tomava maiores dimensões, jornalistas foram recebidos com insultos e ovadas em Beit Shemesh. No domingo, cerca de 200 ultraortodoxos atacaram uma equipe de TV. Na segunda-feira, policiais que tentavam proteger funcionários de duas emissoras foram cercados e chamados de nazistas. Cartazes com mensagens para que as mulheres não usassem as mesmas calçadas que os homens foram retirados pelas autoridades.

O presidente israelense, Shimon Peres, pediu à população que comparecesse em massa ao protesto de ontem. "Todos temos de defender a imagem do Estado de Israel de uma minoria que está destruindo a solidariedade nacional." Os cartazes dos manifestantes exigiam o fim da "coerção religiosa" e do fundamentalismo judaico. Políticos governistas e de oposição marcaram presença. / AP

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