AP
AP

Protesto de jornalistas contra censura ganha apoio na China

Manifestantes promovem segundo dia de protestos em solidariedade a grevistas no sul do país

BBC Brasil, BBC

08 de janeiro de 2013 | 16h42

GUANGZHOU, CHINA - Manifestantes promoveram nesta terça-feira um segundo dia de protestos na cidade de Guangzhou, no sul da China, em apoio a jornalistas que estão em greve contra a censura.

Dezenas de pessoas se concentraram em frente à sede do jornal Southern Weekly - também conhecido como Southern Weekend. Algumas usavam máscaras e levavam flores em luto pelo que afirmam ser a morte da liberdade de imprensa.

A ação dos jornalistas também recebeu solidariedade de outros veículos de imprensa chineses. Alguns jornais se recusaram a publicar um editorial distribuído pelo Partido Comunista que ressalta a importância do controle do governo sobre a imprensa.

Muitos sites de notícias da China publicaram o editorial, mas outros incluíram mensagens em que diziam não compartilhar das opiniões expressas no texto do partido.

Mudanças

O descontentamento que levou à greve começou na semana passada, quando um editorial de Ano Novo publicado no jornal foi modificado por oficiais de propaganda do governo. O texto original, que pedia por reformas e direitos constitucionais garantidos, foi transformado por censores do governo em um artigo elogiando o Partido Comunista.

Em resposta, a equipe do jornal e ex-funcionários, entre eles alguns jornalistas famosos, escreveram duas cartas abertas pedindo a renúncia do chefe de propaganda da província de Cantão, Tuo Zhen, acusando-o de ser "ditatorial" em uma era de "crescente abertura". Na noite de domingo, uma mensagem no microblog oficial do jornal negou que o editorial houvesse sido modificado por causa de censura, afirmando que os "rumores online" eram falsos.

As atualizações do microblog, supostamente feitas por editores do alto escalão do jornal, provocaram a greve de membros da equipe editorial que discordaram da ação. Os jornalistas estão negociando com a direção do jornal os termos para a publicação da edição desta semana.

Teste

Segundo o correspondente da BBC em Pequim, Martin Patience, a disputa é um raro protesto contra a censura na China. No ambiente de restrições à imprensa na China, o Southern Weekly é considerado um dos jornais mais influentes e ganhou uma reputação de testar os limites da censura, publicando muitas reportagens investigativas e colecionando episódios de conflito com o governo.

Analistas afirmam que a disputa atual vai testar a tolerância do novo governo chinês, que assumiu o poder em novembro passado, aos apelos por mudanças no país.

"Caso os protestos em apoio ao Southern Weekly continuem, isso pode colocar o novo governo de Xi Jinping em uma posição difícil", disse à BBC o professor Zhan Jiang, do departamento de jornalismo internacional da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim. Segundo analistas, a ala mais linha dura não deverá aceitar que o governo ceda aos protestos.

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC

Tudo o que sabemos sobre:
Chinacensurasouthern weekly

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.