Protesto de monges já é o maior de Mianmá em 20 anos

No sétimo dia de manifestações, os budistas passam a exigir abertamente o fim da ditadura militar birmanesa

AP e Efe, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2024 | 00h00

No sétimo dia de protestos nas principais cidades de Mianmá (a antiga Birmânia), os monges budistas conseguiram dobrar o contingente de manifestantes nas ruas, causando a reação da junta militar que governa o país. Foram cerca de 20 mil pessoas ontem, 10 mil a mais do que os manifestantes da véspera. A ampliação dos protestos - considerados a mais vigorosa demonstração de descontentamento com o governo dos últimos 20 anos - levou as forças de segurança a interditar vias de algumas cidades para impedir os protestos perto de alguns locais-chave do regime.Pelo segundo dia consecutivo, um numeroso grupo de religiosos tentou visitar a líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi - em prisão domiciliar desde 2003, na capital Rangum. No sábado, a polícia deixou que os monges passassem pelo cerco à casa de Suu Kyi (ela é constantemente vigiada por 20 agentes policiais e nem sequer tem telefone) e se aproximassem a ponto de ela conseguir saudá-los da porta. O encontro, para os analistas internacionais, ainda que breve, foi considerado histórico, por sua importância simbólica. Ontem, entretanto, a aproximação foi proibida, e os soldados formaram uma barreira contra o avanço dos monges. Suu Kyi, porém, pôde ser vista por trás da tropa, acenando.Os budistas promoveram ainda uma grande passeata que seguiu pelas principais ruas até o centro da cidade, numa referência direta a um fracassado levante de 1988 - foi feito o mesmo caminho trilhado pelos manifestantes daquela ocasião, que também se insurgiram e foram brutalmente reprimidos pelos militares.Os atos contra o regime - definido pelos manifestantes como ''''ditadura do mal'''' - têm sido sempre pacíficos, ainda que realizados em clima tenso, como nos últimos dois dias. Contudo, os monges e, agora também as religiosas, querem que a sociedade civil comece a engrossar os protestos. Eles vêm instando a população para que todos rezem na porta de suas casas por 15 minutos, pontualmente às 20h de hoje (10h de Brasília) e de amanhã, o que já havia sido proposto ontem.A tensão entre o governo e a população começou em agosto, quando os preços dos combustíveis dobraram. E agravou-se no dia 5, quando um grupo de monges foi agredidos por soldados da tropa de choque durante uma manifestação pacífica. Eles exigiam desculpas formais pelo incidente, mas agora querem também a fim do regime. Na sexta-feira, a Aliança dos Monges Budistas Birmaneses votou pela decisão de prosseguir com as passeatas até ''''afastar a ditadura de vez''''.

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