Protesto na Tunísia aumenta pressão pela renúncia de premiê

No poder desde 1999, Mohammed Ghannouchi é aliado do presidente deposto Zine El Abidine Ben Ali

estadão.com.br,

23 de janeiro de 2011 | 10h21

Fazendeiros tunisianos protestam pela renúncia do premiê Mohammed Ghannouchi

 

Manifestantes contra o governo da Tunísia, vindos de áreas rurais do país norte-africano, marcharam pela capital do país, Túnis, neste domingo, 23, na chamada "Caravana da Libertação". O protesto eleva a pressão pela renúncia do primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi, aliado do ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali, deposto no último dia 14.

 

"O povo veio para derrubar o governo", gritavam centenas de manifestantes, durante a marcha no centro da capital. Eles levavam fotos de pessoas mortas pelas forças de segurança durante os protestos das semanas anteriores, que culminaram com a queda do presidente. Ben Ali estava há 23 anos no poder.

 

O novo governo de transição lançou medidas sem precedentes de liberdades democráticas, mas ainda é liderado pelo mesmo premiê, Ghannouchi, e outras velhas figuras ligadas ao regime de Ben Ali. Ghannouchi é o primeiro-ministro da Tunísia desde 1999. Ele prometeu deixar a política após as primeiras eleições democráticas no país desde sua independência da França, em 1956.

 

Especula-se na comunidade internacional que os protestos registrados na Tunísia possam inspirar movimentos antigovernamentais em outros países da região. Na Argélia, a polícia dispersou uma manifestação envolvendo 300 pessoas que pediam mais liberdades democráticas. Distúrbios também foram registrados no Iêmen, onde a população protesta contra o governo do presidente Ali Abdullah Saleh.

 

A marcha na Tunísia é apoiada pelo Sindicato Geral dos Trabalhadores Tunisianos, conhecido pelo acrônimo francês UGTT. O sindicato teve importante papel nos protestos contra Ben Ali e se recusou a reconhecer o novo governo. Os bombeiros e a antes temida polícia tunisiana também começam a aderir aos protestos.

 

As manifestações contra Ben Ali começaram em dezembro, e tiveram como estopim dificuldades econômicas como a alta dos preços dos alimentos, além de anos de ressentimento contra a repressão política.

 

Este domingo é o último dia de luto pelos mortos nos protestos das últimas semanas. Oficialmente, 78 pessoas morreram durante os protestos que derrubaram o presidente. Informações extra oficiais, no entanto, elevam para mais de cem o número de mortos.

 

Toque de recolher. No sábado, 22, milhares de pessoas participaram de protestos pacíficos contra o governo em Túnis. Assembleias públicas com mais de três pessoas estão oficialmente proibidas no país, sob estado de emergência. Além disso, há um toque de recolher em vigor durante as noites.

 

O toque de recolher foi relaxado em escolas e universidades, que estavam fechadas desde 10 de janeiro. Embora estejam previstas para reabrir nesta semana, professores prometem uma greve contra o governo para os próximos dias.

 

Com agências internacionais 

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