Protesto na Ucrânia inspira escudos artesanais de manifestantes venezuelanos

Protesto na Ucrânia inspira escudos artesanais de manifestantes venezuelanos

Documentário Inverno em chamas, que narra protestos de 2014, influenciam manifestantes a produzir proteções com pedaços de madeira, plástico e metal

O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2017 | 16h52

CARACAS - Inspirados nas revoltas que ocorreram na Ucrânia em 2014 e num documentário exibido no Netflix sobre aquele país, manifestantes venezuelanos que protestam contra o governo do presidente Nicolás Maduro adotaram escudos similares aos dos ativistas da Praça Maidan para se proteger artesanalmente das balas da Guarda Nacional Bolivariana (GNB). 

Os escudos coloridos, usados cotidianamente nos atos contra Maduro, que desde abril deixaram 76 mortos, lembram os usados em Kiev, nos três meses de protestos que levaram à renúncia de Viktor Yanukovich e deixaram 100 mortos. 

Na Venezuela, eles são feitos de pedaços de metal, madeira e restos de plástico. Nas manifestações, os opositores costumam formar barricadas e avançar em blocos, como faziam soldados romanos na Antiguidade. Apesar disso, eles são frágeis demais para as armas da GNB.

"Os escudos não nos protegem contra balas, mas ajudam contra o gás lacrimogêneo, balas de borracha e pedras", diz o manifestante Brian Suárez, de 20 anos. 

A maioria dos escudos é decorada com palavras de ordem contra o governo, ou grafites contra Maduro: "Ajudem", "Chega de Ditadura" e "Maduro Assassino" são algumas das frases. 

O manifestante diz ter tido um dos rins prejudicado com o impacto de um jato d'água durante as manifestações e poderia ter sido pior se estivesse sem o escudo. "Ser escudeiro é importante. Você recebe todo o impacto do que atiram em você", diz.

  

O documentário Inverno em Chamas, do diretor russo Evgeni Afineevski, mostra os detalhes dos protestos que reuniram milhares de pessoas em Kiev em 2014 e a repressão que se seguiu. Tem sido exibido ao redor da Venezuela em universidades, livrarias e escolas para mobilizar mais manifestantes contra Maduro. 

"Você vê um ucraniano com lágrimas nos olhos pelas bombas e pensa: estou na Ucrânia ou na Venezuela", afirma o professor universitário Carlos Delgado, que participou de exibições do filme na Universidade Central. 

"O documentário é imperdível", diz a escritora Ana Maria Simon. Todo venezuelano deveria vê-lo."

Apesar das semelhanças, há diferenças importantes nos protestos nos dois países. Na Ucrânia, os opositores enfrentaram neve e frio intenso em protestos que duravam o dia e a noite contra o governo. Na Venezuela, além do clima quente, as ruas se tornam perigosas à noite, quando gangues criminosas saem para assaltos. 

"É hora de levar os protestos a outro nível. Precisamos nos organizar se quisermos ultrapassar o ponto de não retorno", diz o manifestante Hans Wuerich. /REUTERS

 

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