, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

Quatro pessoas morreram durante um protesto em Áden, no Iêmen, ontem, quando a polícia novamente dispersou com violência uma manifestação contra o regime do presidente Ali Abdullah Saleh. Pelo menos 17 foram atingidos por "balas perdidas", segundo as autoridades. Na capital, Sanaa, o 7.º dia consecutivo de protesto reuniu 6 mil pessoas - 40 ficaram feridas. Outros conflitos ocorreram ontem em várias cidades do país.

Depois de um mês de protestos, que nesta semana se tornaram diários e deixaram três mortos nos últimos dois dias, os manifestantes prometem para hoje um "dia de fúria" no país considerado o mais pobre do mundo árabe.

Novamente ontem, os iemenitas entraram em conflito com a polícia e apoiadores do regime armados com pedaços de paus e adagas am Sanaa. O protesto da capital iemenita começou com um pequeno agrupamento de estudantes marchando em direção ao centro da cidade. Quando os manifestantes já eram cerca de 1,5 mil, aproximadamente 800 governistas os atacaram. A resposta veio em pedradas. Os jovens diziam estar enfurecidos por causa da corrupção e do desemprego do país.

Segundo testemunhas, veículos municipais transportavam paus e pedras aos partidários do presidente. O pavimento das ruas foi arrancado na busca por "munição". O conflito durou horas. "O povo quer derrubar o presidente. O povo quer derrubar o regime", cantavam os manifestantes. De acordo com os relatos, além de bater nos manifestantes com cassetetes, os policiais que tentavam conter a marcha faziam disparos para o alto.

Em Áden, onde duas mortes já tinham sido registradas durante uma manifestação na quinta-feira, cerca de 3 mil pessoas participaram do protesto de ontem - e novamente houve confronto.

Há 32 anos no poder, o presidente iemenita é aliado dos EUA por combater o ressurgimento da Al-Qaeda em seu país. O xeque Abdul Majid al-Zindani, porém, clérigo mais destacado do Iêmen e próximo a Saleh, é considerado pelos americanos aliado da milícia fundamentalista.

Na quarta-feira, o presidente reuniu-se com a cúpula militar para discutir a crise, segundo a agência estatal de notícias Saba. / AP e REUTERS

FICHA TÉCNICA

Protestos querem derrubar o regime, por causa de corrupção e falta de oportunidades

Presidente

Ali Abdullah Saleh

No poder

desde Maio de 1990

População

20 milhões

Densidade

30 hab./m2

Capital

Sanaa

Língua oficial

Árabe

Política internacional

Membro da ONU e da Liga Árabe

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