Protesto no Sudão pede morte de britânica por blasfêmia ao islã

Professora é condenada a 15 dias de prisão por permitir que alunos chamassem ursinho de Maomé

Associated Press,

30 de novembro de 2007 | 11h17

Centenas de sudaneses, muitos armados com paus e facas, protestaram nesta sexta-feira, 30, na frente do palácio presidencial na capital do país, Cartum, exigindo a morte da professora britânica condenada por blasfêmia e insulto ao islã. Gillian Gibbons foi condenada na quinta a 15 dias de prisão e a deportação por permitir que seus alunos chamassem de Maomé (Mohamed em árabe) um ursinho de pelúcia.   Os manifestantes tomaram as ruas após as tradicionais orações de sexta, gritando mensagens em alto-falantes contra a britânica. Centenas de policiais foram deslocados para a praça em que os protestos se concentraram, mas não impediram o ato.   Gillian está em uma prisão feminina distante do local em que aconteceram as manifestações. A escola em que ela lecionava, mais próxima do centro da capital, está sob proteção policial.   Segundo o repórter da Associated Press, os participantes do ato não levavam armas de fogo. O protesto parece não ter sido organizado pelo governo do país.   Durante as orações de sexta, o clérigo muçulmano de Cartum afirmou que Gillian insultou intencionalmente o islã, mas não convocou as manifestações pela execução da professora. "Essa mulher arrogante vem ao nosso país, recebe o seu salário em dólares e ensina para as nossas crianças o ódio ao Profeta."   De acordo com o artigo 125 do Código Penal sudanês, a professora poderia ter sido condenada a seis meses de prisão, pagar uma multa ou receber 40 chibatadas. Gillian foi detida no último domingo após o Ministério da Educação do Sudão receber uma queixa de professores.   A professora, que começou a trabalhar na escola em agosto, teria pedido o ursinho de pelúcia de uma menina de sete anos emprestado e sugeriu que seus colegas dessem um nome a ele. Dos 23 alunos, 22 votaram no nome Maomé para o brinquedo.   O diretor da escola explicou que as crianças tinham que levar o ursinho para suas casas nos finais de semana e cada um teria de descrever o que fazia com ele. Os comentários dos pequenos foram colocados num livro cuja capa estampava uma fotografia do ursinho com a legenda: "Meu nome é Maomé".   Ao tomar conhecimento do livro, a União Superior de Escolas Sudanesas decidiu suspender a britânica e divulgou um pedido oficial de desculpas aos alunos, seus familiares e a todos os muçulmanos. A direção do colégio particular em que Gillian lecionava inglês anunciou o fechamento de suas instalações por medo de ataques.

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