Protesto pró-regime cerca embaixador americano na Síria

Diplomata é atacado com ovos e tomates pelos manifestantes ao chegar a encontro com político opositor, em Damasco

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2011 | 03h06

Um grupo que se manifestava em defesa do governo da Síria tentou invadir um prédio na capital do país, Damasco, onde uma reunião entre o embaixador americano e um líder da oposição ao governo do presidente Bashar Assad ocorria.

Hassan Abdel-Azim, que dirige a União Democrática Nacional, estava reunido com Robert Ford, embaixador americano na Síria, quando cerca de cem militantes iniciaram uma manifestação diante do prédio, contou Abdel-Azim.

Os manifestantes gritavam slogans antiamericanos e o diplomata ficou preso no prédio durante 90 minutos, até que forças de segurança entraram em cena e dispersaram o protesto. Revoltados, eles arremessaram ovos e tomates na direção de Ford, segundo relatou a rede britânica BBC.

Abdel-Azim disse que os manifestantes tentaram entrar à força no local, mas ele e outras pessoas conseguiram contê-los, fechando com cadeados todas as portas que levavam ao local da reunião. Veículos da representação americana na Síria foram danificados durante o protesto.

"Desde o momento em que o embaixador chegou, um grupo de cem pessoas correu atrás do embaixador, gritando slogans em favor do presidente e contra a visita do diplomata", afirmou Abdel Azim, político de linha moderada que exige um fim da repressão contra os manifestantes pró-democracia como pré-requisito para iniciar um diálogo com o presidente e seu governo.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou ontem que a manifestação contra o embaixador foi "completamente injustificada" e pediu que o governo de Damasco proteja funcionários diplomáticos atualmente trabalhando na Síria.

Recorrência. A manifestação de ontem foi o segundo ataque a diplomatas americanos desde que os protestos contra o regime de Assad tiveram início, em meados de março.

Em julho, após a visita de Ford a Hama - cidade que fica na região central da Síria e serve como reduto da oposição ao governo - os defensores do presidente atacaram o prédio da Embaixada Americana em Damasco.

Pelo menos 2.700 pessoas foram mortas desde que a rebelião teve inicio no país, segundo cálculos da ONU, e milhares foram presas. O governo contesta essas informações e diz que está enfrentando grupos armados que já mataram 700 agentes de segurança sírios.

O Ministério do Exterior do país acusa Washington de patrocinar os ataques contra seus soldados.

"Os comentários feitos pelas autoridades americanas são uma prova de que os Estados Unidos estimulam os grupos armados a praticar atos de violência contra o Exército sírio", diz um comunicado da pasta. / NYT

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