Andrej Cukic/EFE
Andrej Cukic/EFE

Protesto violento contra restrições da pandemia acaba com 71 presos na Sérvia

País que decretou uma das confinamentos mais duros da Europa vê casos aumentarem, enquanto movimentos populares criticam gestão da crise sanitária pelo governo

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2020 | 11h02

BELGRADO - Setenta e uma pessoas foram presas na noite de sexta-feira, 10, durante  manifestações em Belgrado, capital da Sérvia,  que terminaram em distúrbios. O protesto era contra a gestão da pandemia pelo governo. Um britânico e um tunisiano estavam no grupo detido.

"Entre os detidos estão muitos estrangeiros", afirmou o chefe de polícia, Vladimir Rebic, em uma entrevista coletiva.

A maioria dos manifestantes era pacífica, mas alguns grupos de homens encapuzados, lançaram fogos de artifício e gritaram slogans nacionalistas, antes de atravessar as barreiras de segurança e se aproximar do Parlamento.

As manifestações em Belgrado começaram na terça-feira, depois que o presidente Aleksandar Vucic anunciou a intenção de impor neste fim de semana um confinamento total à população após os números da covid-19 voltarem a subir no país dos Bálcãs, que tem oficialmente 370 mortes causadas pelo novo coronavírus.

Parte da população acusa o governo de subestimar o balanço, abandonar a população e fazer uma gestão incoerente da pandemia.

As autoridades sérvias impuseram em março um dos confinamentos mais estritos da Europa, antes de o presidente Vucic proclamar "vitória sobre o vírus" e suspender as medidas restritivas no país.

Aparentemente, os protestos são espontâneos, sem líderes e à margem dos partidos de oposição tradicionais. Os manifestantes estão unidos em seu repúdio a Vucic, apoiado por um amplo espectro político, que vai da esquerda à extrema direita.

O governo abriu mão do confinamento, mas proíbe as concentrações com mais de dez pessoas - o que na prática equivale a proibir as manifestações -, e reduziu o horário de bares, lojas e outros estabelecimentos comerciais.

Nas últimas 24 horas, o país registrou 18 mortes e 386 novos contágios por covid-19, informou a primeira-ministra Ana Brnabic, lamentando um "aumento dramático".

Aleksandar Vucic responsabilizou os manifestantes. "Chegamos (a esta situação) devido à irresponsabilidade daqueles que pedem para tomar as ruas", afirmou. "Imploro que as pessoas não saiam para se manifestar porque vão acabar pedindo ajuda aos médicos", disse. / AFP

 

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