Protestos antes de julgamento de Morsi ampliam tensão no Egito

Milhares tomam as ruas das principais cidades egípcias em sinal de força a 3 dias de líder deposto ir ao banco dos réus

CAIRO, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2013 | 02h11

A dias do julgamento do presidente deposto do Egito, Mohamed Morsi, milhares de partidários da Irmandade Muçulmana voltaram ontem às ruas das principais cidades do país em uma demonstração de força contra o governo interino, formado após um golpe militar, em julho. A expectativa é que a tensão se agrave nos próximos dias.

O primeiro presidente eleito do Egito se sentará no banco dos réus na segunda-feira, acusado de incitar seus apoiadores a matarem rivais políticos e de apoiar grupos "terroristas" egípcios e palestinos. Morsi não é visto em público desde que deixou o palácio presidencial e está sendo mantido pelos militares em um local secreto.

"Continue firme, presidente, nós o apoiamos com milhões de mártires!", gritava a multidão que tomou parte do centro do Cairo. Em Alexandria, segunda maior cidade egípcia, a polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo após confrontos entre manifestantes e pessoas que defendem o regime interino. Um dos principais alvos da fúria dos partidários da Irmandade é o chefe das Forças Armadas do Egito, general Abdel Fatah al-Sisi - manifestantes bradavam ontem por sua "execução na praça".

O grupo islâmico disse que os protestos de ontem foram um "ensaio" para a segunda-feira, quando Morsi aparecerá diante dos magistrados. Autoridades egípcias afirmaram ontem que mais de 20 mil membros das forças de segurança do país foram mobilizados para proteger o tribunal e pontos estratégicos do Cairo. Segundo informações iniciais, o julgamento será realizado em um instituto da polícia vizinho a um complexo prisional, no sul da capital egípcia.

Líderes do grupo islâmico não escondem que planejam ações de protesto enquanto o presidente deposto estiver na corte, mas negam haver planos de resgatá-lo. Islam Tawfiq, da juventude da Irmandade, esclareceu: "Morsi será libertado apenas quando triunfar a revolução popular que está nas ruas há cem dias". Fora do Egito, também deve haver manifestações em consulados e embaixadas. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.